TDAH tem 3 tipos diferentes? Estudo revela descoberta que pode mudar os tratamentos
Um estudo publicado em 2026 na JAMA Psychiatry revelou que o TDAH pode não ser um transtorno único, mas sim composto por diferentes perfis cerebrais. A descoberta pode abrir caminho para tratamentos mais personalizados e eficazes no futuro.
O que o estudo descobriu
- Pesquisadores analisaram exames cerebrais de mais de mil crianças e identificaram três “biotipos” de TDAH, cada um com características emocionais e comportamentais diferentes.
- O mais importante é que os grupos foram encontrados apenas pela análise do cérebro, sem usar sintomas clínicos inicialmente.
- Isso sugere que existem diferenças biológicas reais entre pacientes com TDAH.
Os 3 tipos de TDAH identificados
1. Perfil mais grave e emocional
Esse grupo apresentou:
- Forte desatenção e impulsividade
- Dificuldade para controlar emoções
- Maior irritabilidade, ansiedade e risco de depressão
Os pesquisadores acreditam que esses pacientes podem precisar de tratamentos mais amplos, além dos medicamentos tradicionais.
2. Perfil hiperativo e impulsivo
Caracterizado principalmente por:
- Agitação
- Impulsividade
- Menor nível de desatenção
Esse grupo demonstrou melhora emocional ao longo do tempo.
3. Perfil desatento
Apresentou:
- Dificuldade de concentração
- Problemas de memória de trabalho
- Menor hiperatividade
As alterações cerebrais foram mais específicas, o que pode facilitar respostas melhores a certos tratamentos.
Por que essa descoberta é importante
O estudo reforça a ideia de “medicina de precisão” no TDAH.
Na prática, isso significa que, no futuro:
- Cada paciente poderá receber um tratamento mais personalizado
- Medicamentos poderão variar conforme o perfil cerebral
- Aspectos emocionais ganharão mais atenção no tratamento
Os pesquisadores também identificaram diferenças em substâncias químicas cerebrais, como:
- Dopamina
- Serotonina
- Glutamato
Isso pode explicar por que algumas pessoas respondem melhor aos medicamentos do que outras.
Limitações e cuidados
Apesar dos resultados promissores, ainda existem limitações:
- O estudo não acompanhou as crianças por muitos anos
- A maioria dos participantes era do sexo masculino
- Os exames utilizados ainda são caros e pouco acessíveis
- Ainda não existem tratamentos específicos comprovados para cada biotipo
Especialistas alertam que mais pesquisas serão necessárias antes que essas descobertas mudem a prática médica.
O futuro na medicina de precisão
A pesquisa representa um passo fundamental em direção à medicina de precisão na psiquiatria. A tendência para o futuro é abandonar o modelo de tratamento padronizado e adotar estratégias que considerem o perfil neurobiológico e o temperamento de cada indivíduo,combinando treinos parentais, terapias comportamentais específicas e medicações direcionadas. Embora essa realidade ainda pertença ao campo da ciência e precise caminhar por novos testes clínicos, as bases para um diagnóstico do TDAH muito mais humano, exato e eficaz foram lançadas.
