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sexta-feira, 12 de julho de 2024 às 13:05 GMT+0

Amor como doença na Idade Média: Da paixão à cura - Uma exploração da percepção e tratamento do 'Mal do Amor'

Na história da humanidade, o conceito de amor variou significativamente, desde sua definição religiosa até sua interpretação como paixão descontrolada. Na Idade Média, o amor era visto de diversas maneiras: como voluntas e caridade no contexto religioso, ou como eros, uma paixão idealizada pela beleza da pessoa amada.

Tratados e Influências na Idade Média

Andreas Capellanus, no século 12, no seu tratado "De Amore", classifica o amor em tipos como verdadeiro, vulgar, impossível e desonesto, influenciando profundamente a literatura e a sociedade medievais. Ele também introduziu a ideia de que o amor poderia ser uma doença, associada aos quatro humores corporais.

  1. Amor Verdadeiro: Entre pessoas da mesma posição social
  2. Amor Vulgar: Carnal
  3. Amor Impossível: Fora dos padrões morais
  4. Amor Desonesto: Contrário aos preceitos morais

Perspectivas Médicas sobre o Amor como Doença

Constantino, o Africano, no século 11, relacionou o excesso de bílis negra ao "mal do amor", enquanto Bernard de Gordon atribuiu a "aegritudo amoris" ao "amor de mulheres", descrevendo sintomas como pele amarelada, insônia e tristeza. Essas teorias foram corroboradas por Boissier de Sauvages e Arnau de Vilanova, que vincularam a doença à melancolia e a distúrbios cerebrais.

  • Excesso de Bílis Negra: Relação entre "amor" e "amaro"
  • Sintomas da "Aegritudo Amoris": Pele amarelada, insônia, tristeza

Representação na Literatura

Desde Lucrécio na Roma Antiga até Garcilaso de la Vega na Espanha renascentista, o amor foi retratado como uma condição que poderia levar à loucura e à morte, influenciando obras como "Dom Quixote" de Cervantes e "Tirant lo Blanc" de Martorell. A literatura medieval refletia a luta entre o amor idealizado e o amor como doença, ilustrado em obras como "O Livro do Bom Amor" e "La Celestina".

Tratamento e Cura

Para curar o amor como doença, recomendava-se uma dieta específica e disciplina moral rigorosa, incluindo evitar alimentos que estimulassem o desejo sexual e adotar práticas como banhos frios e dormir com urtigas. O objetivo era controlar os impulsos carnais para alcançar a harmonia entre corpo e alma.

  • Dieta Preceptiva: Evitar carne vermelha e vinho
  • Disciplina Moral: Controle dos impulsos carnais

Através dos séculos, o amor foi interpretado de maneiras diversas, desde uma virtude cristã até uma enfermidade que comprometia o equilíbrio físico e espiritual. As teorias médicas e literárias medievais demonstram como o amor foi visto não apenas como uma emoção, mas como uma condição que afetava profundamente a vida e o bem-estar dos indivíduos.

Por meio dessas reflexões históricas, compreendemos melhor como concepções antigas moldaram nossa visão contemporânea do amor e seus efeitos sobre a saúde mental e física.

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