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quarta-feira, 12 de fevereiro de 2025 às 12:34 GMT+0

Onda de calor histórica no Rio Grande do Sul: Por que está tão quente?

O Rio Grande do Sul enfrenta uma onda de calor extrema, com recordes históricos de temperatura. Porto Alegre registrou 39,8°C nesta terça-feira (11/02), quebrando o terceiro recorde em apenas uma semana. Outras cidades superaram 40°C, e Quaraí, na Fronteira Oeste, chegou a impressionantes 43,8°C, sendo a cidade mais quente do Brasil no dia.

O calor intenso deve continuar pelo menos até quarta-feira (12/02), quando há previsão de chuvas, mas os efeitos já são sentidos em diferentes áreas, desde a saúde até a educação.

Como essa onda de calor está impactando o estado?

O calor extremo tem consequências que vão além do desconforto térmico. Ele afeta diretamente a qualidade de vida da população e compromete serviços essenciais.

Problemas de saúde

  • A baixa umidade do ar, entre 30% e 20%, pode causar desidratação, problemas respiratórios e aumentar o risco de complicações cardiovasculares.
  • Pessoas mais vulneráveis, como idosos, crianças e quem tem doenças crônicas, são as mais afetadas.
  • O calor excessivo pode levar à exaustão térmica e até mesmo a insolação, que pode ser fatal.

Crise hídrica e impactos na agricultura

  • A falta de chuvas está agravando a estiagem no estado.
  • 99 municípios já sofrem com a seca, sendo que 78 decretaram situação de emergência.
  • A produção agrícola, especialmente de culturas como milho e soja, está sendo prejudicada, o que pode afetar os preços dos alimentos.

Por que está tão quente?

Embora o verão no Rio Grande do Sul seja tradicionalmente quente, a intensidade dessa onda de calor é resultado de uma combinação de fatores climáticos.

La Niña

  • Esse fenômeno climático ocorre quando as águas do Oceano Pacífico Equatorial ficam mais frias do que o normal.
  • No Brasil, ele tende a causar seca no Sul e chuvas intensas no Norte e Nordeste.

Mudanças climáticas

  • As temperaturas globais estão aumentando devido ao desmatamento, emissão de gases poluentes e urbanização acelerada.
  • O calor extremo está se tornando mais frequente e intenso, tornando episódios como este cada vez mais comuns.

O efeito das cidades na sensação térmica

Porto Alegre tem registrado temperaturas muito altas, mas um estudo revelou um agravante: as chamadas ilhas de calor urbanas.

Por que a cidade parece ainda mais quente?

1. Áreas cobertas por cimento e asfalto absorvem e retêm calor, aumentando a sensação térmica.
2. O desmatamento urbano, como o que ocorreu no Parque Harmonia, remove a sombra das árvores, piorando a situação.
3. Em alguns locais, foram registradas temperaturas de até 62°C na superfície, muito acima da temperatura do ar.
4. Esse fenômeno ocorre em muitas cidades e pode ser reduzido com mais arborização, telhados verdes e materiais urbanos que refletem menos calor.

Onda de calor afeta o início do ano letivo

A volta às aulas da rede estadual no RS gerou debate devido às temperaturas extremas.

Decisão judicial

  • O Cpers-Sindicato, que representa os professores, entrou com um pedido para adiar o início das aulas, alegando que o calor pode prejudicar alunos e professores.
  • A justiça inicialmente aceitou o pedido e adiou o retorno para 17 de fevereiro.
  • O governo recorreu e conseguiu reverter a decisão, mantendo a data original de início das aulas para quinta-feira (13/02).

Falta de infraestrutura

  • Apenas 600 das 2.320 escolas estaduais possuem ar-condicionado.
  • Muitas salas de aula não têm ventilação adequada, tornando as condições de ensino ainda mais difíceis.

O que pode ser feito para reduzir os impactos?

Eventos extremos como esse estão se tornando cada vez mais frequentes. Algumas medidas podem ajudar a reduzir os danos:

  1. Hidratação e proteção solar: Beber muita água, usar roupas leves e evitar exposição ao sol nos horários mais quentes do dia.
  2. Cidades mais verdes: Investir em arborização para reduzir o efeito das ilhas de calor.
  3. Adaptação das escolas e locais de trabalho: Melhorar a ventilação e garantir ambientes adequados para enfrentar o calor.
  4. Monitoramento climático: Melhorar a previsão do tempo e adotar medidas preventivas contra estiagens e ondas de calor.

O Rio Grande do Sul está enfrentando uma das maiores ondas de calor de sua história, e esse fenômeno deve se repetir com mais frequência nos próximos anos. Combinando fatores naturais e mudanças climáticas, o aumento das temperaturas exige adaptações urgentes para proteger a população, a economia e o meio ambiente.

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