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quinta-feira, 15 de janeiro de 2026 às 16:21 GMT+0

Os pais precisam buscar ajuda para disciplinar os filhos? O desabafo de pais que enfrentam filas por escolas cívico-militares

Este resumo analisa o cenário das escolas cívico-militares no Paraná em 2026, explorando as motivações das famílias, o funcionamento do modelo e as intensas discussões pedagógicas e jurídicas que cercam o tema.

O fenômeno das escolas cívico-militares no Paraná

O estado do Paraná consolidou-se como o principal expoente do modelo cívico-militar no Brasil. Com mais de 300 unidades em operação e planos de expansão para 2026, o governo estadual enfrenta um desafio logístico: uma fila de espera que ultrapassa 11 mil estudantes. O que move essa demanda não é apenas a busca por ensino gratuito, mas uma expectativa crescente das famílias por segurança, disciplina e um ambiente escolar mais estruturado.

A busca por amparo e disciplina: O caso de Rafaela Barbosa

  • A trajetória de Rafaela Barbosa e seu filho de 15 anos ilustra o sentimento de muitos pais. Após enfrentar dificuldades no ensino privado, agravadas pela pandemia e por um diagnóstico de TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade), Rafaela buscou no modelo cívico-militar o suporte que não encontrou anteriormente.
  • Para muitas famílias, a percepção de que a escola particular falhou em comunicar o desempenho acadêmico ou em impor limites comportamentais torna o modelo militarizado atraente. O relato de melhora na responsabilidade doméstica e no desempenho escolar do jovem, após dois anos de adaptação, reforça o argumento de quem defende o sistema.

Como funciona a gestão compartilhada

É fundamental distinguir o colégio cívico-militar dos colégios militares tradicionais (geridos integralmente pelas Forças Armadas ou Polícia Militar). No modelo paranaense:

  • Gestão pedagógica: Permanece sob a responsabilidade de diretores civis e da Secretaria de Educação (SEED). Os professores são civis e o currículo segue a Base Nacional Comum Curricular.
  • Gestão administrativa e de conduta: Militares da reserva atuam como monitores. Eles cuidam da entrada, saída, organização de filas, cerimônias (como o hino nacional) e vigilância do cumprimento das normas de conduta.
  • Remuneração: Os militares recebem uma gratificação diária (aproximadamente R$ 5,5 mil mensais), sem os encargos de um salário fixo, como o 13º.

O sistema de créditos e as regras de apresentação

O cotidiano nessas instituições é regido por um manual rigoroso. A estética e o comportamento são quantificados através de um sistema de "créditos":

  • Padrão estético: Há exigências claras para cortes de cabelo (meia cabeleira para meninos; coques ou tranças para meninas), proibição de barba, bigode, piercings ou acessórios chamativos.
  • Pontuação comportamental: O aluno inicia o ano com 10 pontos. Atitudes positivas (ajudar colegas, zelo pelo patrimônio) somam pontos, enquanto infrações (desorganização, desrespeito a filas) subtraem.
  • Reconhecimento: Alunos com alto desempenho e comportamento exemplar recebem distinções, como medalhas e certificados, incentivando a meritocracia interna.

O embate político e jurídico

Enquanto o governo federal descontinuou o programa nacional em 2023, alegando falta de respaldo na Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), estados como Paraná e São Paulo aceleraram a implementação por conta própria.

Argumentos favoráveis do governo

  • O Secretário de Educação, Roni Miranda, argumenta que o modelo libera o professor para focar no conteúdo, já que a disciplina é garantida pelos monitores. Além disso, aponta a sensação de segurança contra a criminalidade no entorno das escolas como um fator decisivo para a aprovação popular.

As críticas do sindicato e de especialistas

A APP-Sindicato (Associação dos Professores do Paraná) e entidades como o "Todos Pela Educação" levantam preocupações severas:

  • Exclusão e padronização: Críticos afirmam que o modelo marginaliza a diversidade, especialmente em relação a cabelos afro e identidades juvenis, além de pressionar alunos que não se adaptam ao ritmo rígido a buscarem transferência, o que geraria uma "limpeza" nos índices de desempenho.
  • Desvio de finalidade: Alega-se que a segurança pública não deve ser resolvida dentro do ambiente pedagógico por militares, e que o foco da escola deveria ser a autonomia e o pensamento crítico, não a obediência cega.
  • Questionamento no STF: Partidos políticos contestam a constitucionalidade do modelo, argumentando que ele promove uma "militarização precoce" da juventude.

Evidências científicas e resultados

Estudos preliminares, como os realizados no estado de Goiás (que adota o modelo há décadas), indicam uma melhora nos índices de proficiência em Matemática e Português e redução da evasão escolar. No entanto, pesquisadores fazem uma ressalva importante: é difícil isolar se o sucesso vem do rito militar ou do fato de essas escolas receberem mais investimentos, melhores reformas e atenção prioritária do Estado.

"Não é possível afirmar com certeza se os resultados decorrem da disciplina militar ou de um conjunto de fatores como garantia de professores em todas as turmas e melhorias administrativas." — Olavo Nogueira Filho, Todos Pela Educação.

A fila de 11 mil alunos no Paraná reflete um desejo social por ordem e segurança em um mundo pós-pandemia cada vez mais complexo. Contudo, a expansão do modelo cívico-militar em 2026 permanece no centro de uma disputa de visões sobre o papel da educação: de um lado, a busca por disciplina e resultados imediatos; de outro, a defesa de uma escola plural e acolhedora às diferenças. O veredito final, tanto jurídico quanto pedagógico, ainda dependerá da análise de longo prazo sobre o impacto desse modelo na formação integral dos cidadãos.

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