Hacker vestida de "power ranger rosa" derruba e vaza dados do "tinder de supremacistas brancos": 8.000 perfis são expostos por hacktivista
Em um dos episódios mais inusitados do ativismo digital recente, a hacktivista conhecida como Martha Root desmantelou uma complexa rede de segregação racial que operava sob o disfarce de plataformas sociais. O ataque, realizado no início de janeiro de 2026, não apenas derrubou os serviços, mas expôs a fragilidade técnica de grupos que pregam a exclusão.
O triângulo da segregação: Do romance ao mercado de trabalho
A plataforma alvo não era apenas um site de namoro isolado, mas um ecossistema completo gerido pela empresa Horn & Partners. A rede tentava criar uma bolha social absoluta para quem buscava a chamada "preservação europeia":
- WhiteDate: O "Tinder" da rede, focado em conectar pessoas brancas com base em critérios de pureza racial.
- WhiteChild: Uma vertente voltada para a criação de famílias e incentivo à natalidade dentro da mesma ideologia.
- WhiteDeal: O braço profissional da rede, funcionando como um "LinkedIn" exclusivo para networking e contratações entre simpatizantes da causa.
Infiltração com Inteligência Artificial: O cavalo de troia moderno
A sofisticação da invasão chamou a atenção da comunidade de segurança. Em vez de um ataque de força bruta, Martha Root utilizou Engenharia Social assistida por IA:
- Criação de avatares: Através do modelo de linguagem Ollama, a hacker gerou perfis femininos altamente convincentes.
- Vencendo os testes de pureza: Os perfis automatizados foram capazes de responder aos questionários ideológicos do site, ganhando a confiança dos moderadores e acesso total às bases de dados.
A queda em tempo real: Performance e ativismo digital
- O desfecho ocorreu de forma cinematográfica durante o Chaos Communication Congress na Alemanha. Vestida como a Power Ranger Rosa, Martha Root realizou uma transmissão ao vivo onde deletou os servidores do WhiteDate e de outros domínios associados. O ato foi um protesto simbólico contra o uso da tecnologia para fins de ódio, transformando a exclusão dos dados em um evento público de conscientização.
8.000 perfis expostos: O mapa da intolerância
Após a exfiltração dos dados, a hacker lançou o portal informativo iokstupid.lol. O site apresenta um mapa interativo onde mais de 8.000 usuários foram identificados. Entre as informações vazadas estão:
- Nomes de usuário e localizações exatas.
- Histórico detalhado de atividades e preferências pessoais.
- Dados sensíveis como estado civil e convicções religiosas.
A totalidade das mensagens privadas e e-mails foi preservada do acesso público imediato e entregue ao grupo DDoSecrets, garantindo que jornalistas investigativos e autoridades possam analisar o conteúdo com rigor ético e profissional.
Um golpe simbólico e prático
O caso Martha Root serve como um lembrete contundente de que a segurança digital é, muitas vezes, o calcanhar de Aquiles de organizações extremistas. Ao utilizar as mesmas ferramentas tecnológicas modernas como a IA para combater redes de ódio, o hacktivismo demonstra sua evolução. A desarticulação do WhiteDate não apenas interrompeu um fluxo de doutrinação, mas colocou em xeque a suposta invulnerabilidade desses grupos no ambiente virtual.
