Conteúdo verificado
segunda-feira, 22 de setembro de 2025 às 10:33 GMT+0

Corrida comercial: Por que o Brasil acelera acordos com Índia e Canadá na mesma semana?

O Brasil está adotando uma postura proativa e estratégica para fortalecer seu comércio exterior. Em meio a um cenário global instável, marcado por incertezas e políticas protecionistas, a diplomacia comercial brasileira, liderada pelo Vice-Presidente e Ministro Geraldo Alckmin, foca na diversificação de mercados e na busca por novas parcerias econômicas.

Por que a ação é urgente? O cenário global e as respostas do Brasil

As recentes políticas tarifárias dos Estados Unidos, que impuseram taxas de 50% sobre alguns produtos brasileiros, acenderam um alerta. Em vez de simplesmente reagir, o governo brasileiro age de forma estratégica: busca ativamente novos mercados para não depender de poucas nações e, assim, proteger a economia nacional de riscos geopolíticos e de medidas unilaterais, como as guerras comerciais.

Missão na Índia: Ampliando horizontes no mercado asiático

A visita do Vice-Presidente Alckmin à Índia em outubro, nos dias 7 e 8 de Outubro, demonstra o foco em economias dinâmicas e de grande potencial. O objetivo principal é modernizar e expandir o Acordo de Comércio Preferencial entre o Mercosul e a Índia, que hoje está subutilizado.

  • Mercado gigante e em crescimento: Com mais de 1,4 bilhão de pessoas, a Índia é um dos mercados de consumo que mais crescem no mundo. O potencial de negócios é enorme.
  • Acordo subutilizado: O acordo atual, em vigor desde 2009, cobre apenas 14% das exportações brasileiras. A meta é incluir novos produtos, ampliar as categorias e derrubar barreiras que impedem o acesso de produtos como proteínas e commodities agrícolas.
  • Meta ambiçosa: O objetivo é elevar o comércio bilateral para mais de US$ 20 bilhões até 2030.

Negociações com o Canadá: Retomada de uma parceria estratégica

Ainda em outubro, no dia 10, o Brasil sediará autoridades canadenses para retomar as negociações do Acordo de Livre Comércio Mercosul-Canadá, que estavam paralisadas desde 2021.

  • Economia estável e de alto valor: O Canadá é uma economia desenvolvida e com alto poder de compra, ideal para produtos brasileiros de maior valor agregado.
  • Acordo amplo e moderno: As negociações buscam um acordo mais abrangente do que o da Índia, abordando temas complexos como propriedade intelectual, compras governamentais e regras de origem.
  • Otimismo com cronograma: A expectativa é estabelecer um novo cronograma e fechar o acordo em 2026, oferecendo previsibilidade e segurança para os setores produtivos.

Uma estratégia Dupla para Inserção Global

A realização dessas negociações quase simultâneas, com a Índia e o Canadá, não é por acaso. Elas mostram uma estratégia dupla e inteligente:

  • Aprofundar laços com economias emergentes e de rápido crescimento, como a Índia.
  • Buscar acesso a mercados consolidados e de alto poder de compra, como o Canadá.

Essa abordagem diversificada é considerada a mais eficaz por especialistas para navegar na volatilidade da economia global. Se bem-sucedidas, essas negociações podem injetar bilhões de dólares na economia brasileira, fortalecer nossa posição no cenário internacional e criar novas oportunidades para os negócios brasileiros.

Estão lendo agora