Milão-Cortina 2026: Como a nova dupla francesa conquistou o ouro na patinação artística em meio a controvérsia
Getty Images
A disputa da dança no gelo nos Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina 2026 entrou para a história não apenas pelo alto nível técnico, mas também pelo contexto turbulento que cercou os campeões. Guillaume Cizeron e Laurence Fournier Beaudry conquistaram o ouro por uma diferença inferior a um ponto, em uma das finais mais equilibradas da modalidade nos últimos anos. Dentro do gelo, precisão e sintonia. Fora dele, controvérsias, acusações e debates intensos.
Uma final decidida nos detalhes
A medalha de ouro foi definida por margem mínima contra os americanos Evan Bates e Madison Chock, tricampeões mundiais e vencedores da prova por equipes.
- Os franceses lideraram tanto na dança rítmica quanto na dança livre.
- A diferença final foi inferior a um ponto, reforçando o equilíbrio técnico da disputa.
- A apresentação foi marcada por alto grau de dificuldade, interpretação refinada e forte conexão artística.
- O resultado consolidou a França novamente no topo da dança no gelo olímpica.
A nova parceria e a rápida consolidação
Guillaume Cizeron, de 31 anos, já era campeão olímpico em Pequim 2022 ao lado de Gabriella Papadakis. Após o fim da histórica parceria, iniciou um novo ciclo ao lado de Laurence Fournier Beaudry.
Mesmo competindo juntos desde novembro do ano anterior aos Jogos, os dois apresentaram rápida evolução:
- Venceram quatro das cinco principais competições disputadas.
- Conquistaram o Campeonato Europeu de 2026.
- Ficaram em segundo na Final do Grand Prix da ISU, atrás justamente dos rivais americanos.
A velocidade com que atingiram o topo impressionou especialistas e levantou questionamentos sobre a reorganização estratégica da dupla francesa.
Mudança de nacionalidade e bastidores políticos
Fournier Beaudry já havia competido por Canadá e Dinamarca antes de defender a França. Seu processo de naturalização foi acelerado para garantir elegibilidade olímpica.
A decisão reacendeu debates sobre:
- Transferências de nacionalidade no esporte de alto rendimento.
- Estratégias federativas para manter protagonismo internacional.
- Impactos políticos e esportivos de naturalizações aceleradas.
Embora permitida pelas regras, a medida gerou discussões sobre equilíbrio competitivo e ética esportiva.
O rompimento conturbado com Papadakis
A separação entre Cizeron e Gabriella Papadakis, sua antiga parceira desde a infância, foi marcada por tensão pública.
- Em livro de memórias lançado recentemente, Papadakis descreveu a relação como “desequilibrada”, afirmando sentir-se sob controle excessivo do parceiro. Cizeron negou as acusações, classificando-as como falsas e difamatórias, e declarou estar tomando medidas legais.
O caso teve desdobramentos profissionais:
- Papadakis atuava como comentarista de patinação artística desde 2024.
- Foi desligada da emissora NBC antes da Olimpíada por conflito de interesse relacionado à publicação do livro.
- A situação ampliou o foco midiático sobre o novo ciclo olímpico de Cizeron.
A controvérsia envolvendo Nikolak Sorensen
- Antes de formar dupla com Cizeron, Fournier Beaudry competia com o canadense Nikolak Sorensen, que também é seu parceiro na vida pessoal.
- Em 2025, Sorensen recebeu suspensão de seis anos após acusação de abuso sexual relacionada a um episódio de 2012. Ele nega as acusações.
- Fournier Beaudry manifestou apoio público ao namorado, inclusive em documentário recente, afirmando confiar plenamente nele. A declaração foi criticada pela denunciante, que argumentou que esse tipo de posicionamento pode desencorajar vítimas a denunciarem abusos.
- Desde que obteve cidadania francesa, a patinadora tem evitado comentar o caso.
Entre excelência técnica e turbulência pública
O ouro olímpico de Cizeron e Fournier Beaudry simboliza duas narrativas paralelas:
- Dentro do gelo: excelência técnica, rápida adaptação e alto desempenho competitivo.
- Fora dele: disputas públicas, acusações graves e debates sobre ética, poder e responsabilidade no esporte.
A vitória reafirma o talento da dupla, mas também evidencia como, no esporte moderno, desempenho e reputação caminham lado a lado sob escrutínio constante.
Vídeo: Os franceses Fournier Beaudry e Cizeron lideram após a dança rítmica | Milano Cortina 2026
O preço do ouro
A conquista francesa em Milão-Cortina 2026 é um marco esportivo construído em tempo recorde. No entanto, sua trajetória é inseparável das polêmicas que a cercam. A dança no gelo mostrou mais uma vez que, além de arte e técnica, carrega histórias complexas de relações humanas, poder, responsabilidade e exposição pública. O ouro foi decidido por menos de um ponto. O debate, porém, deve continuar por muito mais tempo.
