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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026 às 11:56 GMT+0

Milão-Cortina 2026: Como a nova dupla francesa conquistou o ouro na patinação artística em meio a controvérsia

Getty Images

A disputa da dança no gelo nos Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina 2026 entrou para a história não apenas pelo alto nível técnico, mas também pelo contexto turbulento que cercou os campeões. Guillaume Cizeron e Laurence Fournier Beaudry conquistaram o ouro por uma diferença inferior a um ponto, em uma das finais mais equilibradas da modalidade nos últimos anos. Dentro do gelo, precisão e sintonia. Fora dele, controvérsias, acusações e debates intensos.

Uma final decidida nos detalhes

A medalha de ouro foi definida por margem mínima contra os americanos Evan Bates e Madison Chock, tricampeões mundiais e vencedores da prova por equipes.

  • Os franceses lideraram tanto na dança rítmica quanto na dança livre.
  • A diferença final foi inferior a um ponto, reforçando o equilíbrio técnico da disputa.
  • A apresentação foi marcada por alto grau de dificuldade, interpretação refinada e forte conexão artística.
  • O resultado consolidou a França novamente no topo da dança no gelo olímpica.

A nova parceria e a rápida consolidação

Guillaume Cizeron, de 31 anos, já era campeão olímpico em Pequim 2022 ao lado de Gabriella Papadakis. Após o fim da histórica parceria, iniciou um novo ciclo ao lado de Laurence Fournier Beaudry.

Mesmo competindo juntos desde novembro do ano anterior aos Jogos, os dois apresentaram rápida evolução:

  • Venceram quatro das cinco principais competições disputadas.
  • Conquistaram o Campeonato Europeu de 2026.
  • Ficaram em segundo na Final do Grand Prix da ISU, atrás justamente dos rivais americanos.

A velocidade com que atingiram o topo impressionou especialistas e levantou questionamentos sobre a reorganização estratégica da dupla francesa.

Mudança de nacionalidade e bastidores políticos

Fournier Beaudry já havia competido por Canadá e Dinamarca antes de defender a França. Seu processo de naturalização foi acelerado para garantir elegibilidade olímpica.

A decisão reacendeu debates sobre:

  • Transferências de nacionalidade no esporte de alto rendimento.
  • Estratégias federativas para manter protagonismo internacional.
  • Impactos políticos e esportivos de naturalizações aceleradas.

Embora permitida pelas regras, a medida gerou discussões sobre equilíbrio competitivo e ética esportiva.

O rompimento conturbado com Papadakis

A separação entre Cizeron e Gabriella Papadakis, sua antiga parceira desde a infância, foi marcada por tensão pública.

O caso teve desdobramentos profissionais:

  • Papadakis atuava como comentarista de patinação artística desde 2024.
  • Foi desligada da emissora NBC antes da Olimpíada por conflito de interesse relacionado à publicação do livro.
  • A situação ampliou o foco midiático sobre o novo ciclo olímpico de Cizeron.

A controvérsia envolvendo Nikolak Sorensen

  • Antes de formar dupla com Cizeron, Fournier Beaudry competia com o canadense Nikolak Sorensen, que também é seu parceiro na vida pessoal.
  • Em 2025, Sorensen recebeu suspensão de seis anos após acusação de abuso sexual relacionada a um episódio de 2012. Ele nega as acusações.
  • Fournier Beaudry manifestou apoio público ao namorado, inclusive em documentário recente, afirmando confiar plenamente nele. A declaração foi criticada pela denunciante, que argumentou que esse tipo de posicionamento pode desencorajar vítimas a denunciarem abusos.
  • Desde que obteve cidadania francesa, a patinadora tem evitado comentar o caso.

Entre excelência técnica e turbulência pública

O ouro olímpico de Cizeron e Fournier Beaudry simboliza duas narrativas paralelas:

  • Dentro do gelo: excelência técnica, rápida adaptação e alto desempenho competitivo.
  • Fora dele: disputas públicas, acusações graves e debates sobre ética, poder e responsabilidade no esporte.

A vitória reafirma o talento da dupla, mas também evidencia como, no esporte moderno, desempenho e reputação caminham lado a lado sob escrutínio constante.

Vídeo: Os franceses Fournier Beaudry e Cizeron lideram após a dança rítmica | Milano Cortina 2026

O preço do ouro

A conquista francesa em Milão-Cortina 2026 é um marco esportivo construído em tempo recorde. No entanto, sua trajetória é inseparável das polêmicas que a cercam. A dança no gelo mostrou mais uma vez que, além de arte e técnica, carrega histórias complexas de relações humanas, poder, responsabilidade e exposição pública. O ouro foi decidido por menos de um ponto. O debate, porém, deve continuar por muito mais tempo.

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