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quinta-feira, 18 de setembro de 2025 às 10:55 GMT+0

O que significa a Selic em 15% para seu bolso? Banco Central adia corte e explica os motivos

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil manteve, em decisão unânime anunciada nesta quarta-feira, 17 de setembro de 2025, a taxa básica de juros (Selic) em 15% ao ano. Esta é a segunda reunião consecutiva em que o comitê opta pela manutenção, interrompendo uma trajetória anterior de altas. A decisão reflete um cenário econômico complexo, onde o combate à inflação ainda é prioritário, mas é balancedo pelos riscos de desaceleração da atividade econômica. A postura do Banco Central é de extrema cautela e vigilância.

A decisão e sua Fundamentação

O núcleo da decisão reside na avaliação de que os riscos para a trajetória da inflação permanecem significativamente elevados. O Copom enfatizou que o momento atual é marcado por uma "elevada incerteza", o que demanda prudência na condução da política monetária. A estratégia declarada é manter a taxa de juros em seu patamar atual por um "período bastante prolongado", avaliando se esta persistência será suficiente para garantir que a inflação convergirá para a meta estabelecida. O comitê deixou claro que não hesitaria em retomar o ciclo de alta de juros (aperto monetário) se a situação inflacionária assim exigisse.

Riscos inflacionários (para a alta)

O comunicado do Copom detalha os fatores que podem pressionar os preços para cima, justificando a postura cautelosa:

  • Desancoragem das expectativas: O risco de que as projeções de inflação feitas pelo mercado e pela sociedade para o futuro médio e longo prazo se descolem da meta definida pelo Banco Central, criando um ciclo de inflação autorrealizável.
  • Inflação de serviços resiliente: A possibilidade de que a inflação no setor de serviços, que é muito sensível ao mercado de trabalho e à renda, se mantenha teimosamente alta, possivelmente devido a uma atividade econômica (hiato do produto) mais aquecida do que o projetado.
  • Políticas econômicas inflacionárias: A preocupação com que uma conjunção de políticas econômicas, tanto internas quanto externas, resulte em pressões inflacionárias maiores que o esperado, citando explicitamente o risco de um Câmbio persistentemente desvalorizado, que encarece produtos importados.

Riscos deflacionários (para a baixa)

Em contrapartida, o comitê também reconhece fatores que podem aliviar a pressão sobre os preços:

  • Desaceleração econômica doméstica: A possibilidade de a economia brasileira desaquecer mais rapidamente do que o previsto, reduzindo a demanda e, consequentemente, a inflação.
  • Desaceleração global: Um cenário internacional de maior incerteza ou um choque no comércio global que leve a uma desaceleração mais pronunciada da economia mundial, impactando o Brasil.
  • Queda nas commodities: Uma redução nos preços de commodities (como petróleo, minério de ferro e produtos agrícolas) no mercado internacional, que teria um efeito desinflacionário direto na economia brasileira, grande exportadora desses itens.

Projeções e expectativas do Mercado

O Copom revisou levemente para baixo sua projeção para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2025, de 4,9% para 4,8%. No entanto, este valor ainda permanece acima da meta central para o ano, que é de 3% (com um intervalo de tolerância). A decisão do Banco Central estava perfeitamente alinhada com as expectativas do mercado financeiro, capturadas pelo Boletim Focus. A mediana das previsões dos economistas aponta que o primeiro corte da Selic só deve ocorrer em 28 de janeiro de 2026, na primeira reunião do ano, com uma redução modesta de 0,25 ponto percentual.

Importância e relevância da decisão

  • Combate à inflação: Manter a Selic em um patamar elevado (15%) é o principal instrumento do Banco Central para conter a demanda aquecida e garantir que a inflação retorne ao centro da meta, preservando o poder de compra da população.
  • Ancoragem das expectativas: A comunicação firme e cautelosa do BC tem o objetivo de guiar as expectativas do mercado, sinalizando um compromisso inabalável com o controle de preços, o que é crucial para evitar espirais inflacionárias.
  • Estabilidade econômica: Juros estáveis por um período prolongado oferecem maior previsibilidade para investidores e para o planejamento financeiro de empresas e famílias, embora onere o crédito.
  • Contexto global: A decisão ocorre em um momento em que outros bancos centrais, como o Federal Reserve (Fed) dos EUA, já iniciaram ciclos de cortes de juros, destacando que o Brasil enfrenta desafios inflacionários domésticos específicos que demandam uma política monetária independente.

A decisão do Copom de manter os juros inalterados e sinalizar que eles permanecerão altos por um longo período é um reflexo de um delicado equilíbrio. O Banco Central navega entre riscos inflacionários ainda presentes e os perigos de uma desaceleração econômica excessiva. A postura predominante é de cautela extrema e vigilância, priorizando a consolidação do controle inflacionário acima de tudo. O mercado internalizou essa mensagem, não esperando o início de um ciclo de afrouxamento monetário antes de 2026, indicando que o cenário de juros elevados tornou-se a nova realidade para o curto e médio prazo da economia brasileira.

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