Wada investiga alegações de preenchimento íntimo entre atletas - Ácido no pênis viraram polêmica nas Olimpíadas de Inverno 2026
As Olimpíadas de Inverno de Milão-Cortina 2026 começam oficialmente nesta sexta-feira, 6 de fevereiro, mas os holofotes não estão apenas no gelo e na neve. Uma controvérsia inusitada nos bastidores do salto de esqui trouxe à tona uma discussão que mistura estética, anatomia e física aerodinâmica: o uso de injeções de ácido hialurônico para ganho de performance esportiva.
A física por trás da polêmica
- No salto de esqui, cada detalhe do traje é milimetricamente regulado: A lógica é simples: quanto maior a área de superfície do competidor, maior a resistência do ar e, consequentemente, maior o tempo de "voo". De acordo com Sandro Pertile, diretor de provas masculinas da Federação Internacional de Esqui e Snowboard (FIS), um aumento de apenas 5% na superfície do traje pode resultar em saltos significativamente mais longos.
- É aqui que entra o ácido hialurônico: A substância, embora não proibida pela Wada, é utilizada para preenchimento e pode aumentar a circunferência do pênis em até dois centímetros. Esse ganho, embora pareça irrelevante em outros contextos, permite que o atleta utilize um traje com maior área de superfície na região da virilha, ganhando uma vantagem aerodinâmica sutil, mas potencialmente decisiva.
A resposta das autoridades
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Durante uma coletiva de imprensa realizada já em solo olímpico, a cúpula da Wada demonstrou uma mistura de cautela e surpresa. Olivier Niggli, diretor-geral da agência, afirmou que a instituição ainda não possui evidências concretas de doping sistemático por esse método, mas garantiu que, caso surjam provas de que a substância está sendo usada para burlar as regras de desempenho, uma investigação será aberta.
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O presidente da Wada, Witold Banka, chegou a tratar o assunto com bom humor, prometendo analisar o caso devido à imensa popularidade do salto de esqui em seu país natal, a Polônia. Por outro lado, a FIS, através de seu diretor de comunicação Bruno Sassi, manteve uma postura cética, afirmando que nunca houve indicações reais de que competidores tenham recorrido a tal procedimento para obter vantagem.
O rigor das medições e o histórico de fraudes
- Para evitar trapaças, a FIS implementou protocolos rigorosos: Antes do início da temporada, os atletas passam por scanners corporais 3D usando apenas roupas íntimas ajustadas. A regra estabelece que o traje de competição deve ter uma tolerância de apenas 2 a 4 cm em relação ao corpo, e a altura da virilha do tecido deve ser idêntica à do atleta (com um acréscimo padrão de 3 cm).
- A criatividade para "vencer o sistema" não é nova no esporte: Recentemente, os medalhistas noruegueses Marius Lindvik e Johann Andre Forfang foram suspensos após a descoberta de fios reforçados em seus trajes, uma tentativa da equipe técnica de manipular a aerodinâmica sem o conhecimento direto dos atletas. O uso de preenchimentos biológicos seria apenas a evolução mais complexa — e íntima — dessa busca por milésimos de segundo.
Riscos médicos e a "falsa facilidade"
Embora o ácido hialurônico seja uma substância naturalmente presente no corpo humano, sua aplicação para fins de aumento peniano não é isenta de riscos graves. Médicos e urologistas alertam que o órgão é extremamente vascularizado e sensível.
- Aparência e durabilidade: O efeito pode durar até 18 meses, exigindo reaplicações.
- Complicações graves: A aplicação incorreta ou por profissionais não qualificados pode levar à injeção da substância em vasos sanguíneos, resultando em necrose do tecido ou até embolias fatais.
- Precisão cirúrgica: A aplicação deve ocorrer em camadas milimétricas abaixo da pele. Erros técnicos podem anular o ganho estético ou causar danos permanentes às funções urinárias e sexuais.
O dilema ético além da regra
- Enquanto a delegação brasileira, a maior de sua história, com 15 atletas, se prepara para buscar medalhas inéditas em modalidades como bobsled e skeleton, o salto de esqui inicia suas competições na próxima segunda-feira, 9 de fevereiro, sob o peso dessa curiosa vigilância.
A polêmica do ácido hialurônico revela que, no esporte de alto rendimento, a fronteira entre a inovação e a irregularidade é cada vez mais tênue. Mais do que uma discussão sobre estética, o caso levanta um debate sobre até onde o corpo humano deve ser modificado para servir como uma ferramenta de engenharia aerodinâmica.
