Por dentro da "Papudinha": Veja os detalhes da nova cela exclusiva de Jair Bolsonaro - 64 metros quadrados e academia
A mudança ocorre em um momento crítico, onde Bolsonaro cumpre uma sentença de 27 anos por crimes relacionados a tentativa de golpe de Estado. A decisão de Moraes busca equilibrar o rigor da execução penal com as necessidades médicas e familiares do ex-presidente, atendendo parcialmente a pedidos da defesa, enquanto rebate críticas sobre as condições anteriores de detenção.
Detalhes da nova instalação: A "sala de Estado-Maior"
A nova acomodação de Bolsonaro não é uma cela comum, mas sim uma Sala de Estado-Maior, garantida por prerrogativa legal.
- Espaço e estrutura: O local possui aproximadamente 64 m², divididos entre área coberta e uma área externa privativa. Ao contrário do sistema prisional comum, o ambiente conta com cama de casal tradicional (em vez de alvenaria), cozinha equipada para o preparo de alimentos, geladeira e armários.
- Conforto térmico e higiene: O ex-presidente dispõe de banheiro privativo com chuveiro elétrico e água quente, além de ventilação adequada.
- Isolamento garantido: Embora o batalhão abrigue outros presos de relevância, como o ex-ministro Anderson Torres, Bolsonaro ocupará sua unidade de forma exclusiva e isolada.
Saúde e reabilitação física
Um dos pontos centrais da transferência foi a adequação do ambiente para o tratamento de saúde do ex-presidente.
- Equipamentos médicos: A nova cela permite a instalação de aparelhos de fisioterapia, como esteira e bicicleta ergométrica, essenciais para sua recuperação física.
- Acesso ao sol: Diferente das limitações da Polícia Federal, na Papudinha o ex-presidente terá liberdade para realizar o "banho de sol" em horários flexíveis em sua área externa privativa.
- Equipe multidisciplinar: O batalhão conta com um posto de saúde exclusivo com médicos, enfermeiros, fisioterapeutas e até psicólogos e psiquiatras, garantindo assistência 24 horas.
Visitas familiares e assistência religiosa
A transferência também flexibiliza as regras de convivência social e espiritual de Bolsonaro:
- Encontros em grupo: Anteriormente limitadas a 30 minutos individuais, as visitas agora podem ser simultâneas. Familiares como Michelle, Flávio e Carlos Bolsonaro podem visitá-lo juntos em dias específicos da semana.
- Apoio espiritual: Foi autorizado o acompanhamento religioso semanal por líderes evangélicos específicos, permitindo o suporte espiritual dentro do ambiente de detenção.
Restrições de comunicação e lazer
Apesar das melhorias estruturais, o ministro Alexandre de Moraes manteve restrições rigorosas quanto ao acesso à informação e tecnologia:
- Veto à Smart TV: A defesa solicitou um aparelho com acesso ao YouTube, o que foi negado. O ministro argumentou que a conexão à internet poderia facilitar a comunicação não autorizada com o exterior e o acesso a redes sociais.
- Televisão limitada: Foi permitida a instalação de TV a cabo, desde que os canais não permitam interação e que todos os custos de instalação sejam arcados pelo próprio ex-presidente.
Reações e controvérsias jurídicas
- A transferência gerou reações intensas: O vereador Carlos Bolsonaro classificou a medida como uma "maldade" e um "confronto institucional", alegando que a saúde de seu pai está fragilizada.
- Por outro lado, Moraes enfatizou que Bolsonaro já gozava de condições privilegiadas na Polícia Federal e que as reclamações da família faziam parte de uma "campanha fraudulenta" para deslegitimar o Judiciário. O ministro reiterou que a mudança para a Papudinha oferece condições ainda mais favoráveis do que as exigidas por lei, visando encerrar as discussões sobre supostos maus-tratos.
A ida de Jair Bolsonaro para a Papudinha marca uma fase de maior estabilidade logística para o sistema prisional e para a defesa. Com uma infraestrutura superior à de uma carceragem policial, o novo local foca na manutenção da saúde do ex-presidente e na organização das visitas familiares. O próximo passo será a realização de uma perícia por uma junta médica oficial, que validará se as adaptações no batalhão são suficientes ou se haverá necessidade de uma futura transferência para um hospital penitenciário.
