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segunda-feira, 2 de março de 2026 às 09:57 GMT+0

Brasil em alerta: O que o Itamaraty diz sobre a escalada entre Irã, Israel e EUA

A recente troca de ataques entre Estados Unidos, Israel e Irã elevou a tensão no Oriente Médio e gerou preocupação no governo brasileiro. Diante do cenário, o Palácio do Planalto e o Ministério das Relações Exteriores adotaram um tom cauteloso, defendendo a diplomacia como único caminho viável para evitar uma crise ainda maior na região.

A avaliação interna é de que o uso da força amplia a instabilidade internacional e pode tornar o ambiente geopolítico ainda mais imprevisível.

1. Preocupação com um cenário “altamente inflamável”

O entorno do presidente Luiz Inácio Lula da Silva considera que os ataques e contra-ataques criam um ambiente de forte incerteza no Oriente Médio. A leitura é de que a escalada militar pode:

  • Ampliar o conflito para outros países da região
  • Aumentar o risco de confrontos indiretos entre potências
  • Gerar impactos humanitários e econômicos globais

Para integrantes do governo, a experiência internacional demonstra que intervenções militares anteriores no Oriente Médio e no Norte da África produziram efeitos prolongados de instabilidade.

2. Defesa histórica da diplomacia como princípio

  • O Brasil reafirmou sua posição tradicional de rejeição à guerra como instrumento de resolução de conflitos. Segundo o Itamaraty, o diálogo e a negociação continuam sendo o caminho mais eficiente e legítimo.
  • Em nota oficial, o Ministério das Relações Exteriores condenou os ataques realizados por Estados Unidos e Israel contra o Irã e pediu “máxima contenção” das partes envolvidas, com respeito ao Direito Internacional.
  • O governo destacou que as ações militares ocorreram em meio a tentativas de negociação relacionadas ao programa nuclear iraniano considerado por Brasília como o canal adequado para a resolução do impasse.

3. O impasse nuclear e o risco de ampliação do conflito

  • O centro da tensão continua sendo o programa nuclear do Irã. Estados Unidos, Israel e aliados ocidentais afirmam que Teerã poderia buscar armas nucleares. O governo iraniano nega essa intenção e sustenta que seu programa tem fins pacíficos.
  • Para o Brasil, interromper negociações em curso aumenta a desconfiança e reduz as chances de solução diplomática. A escalada também elevou a preocupação com ataques retaliatórios que atingiram países do Golfo, ampliando o raio da crise.

4. Defesa da soberania e limites da legítima defesa

Em novo comunicado, o Itamaraty condenou qualquer ação que viole a soberania de Estados ou amplie o conflito, inclusive ataques contra áreas civis.

  • O governo brasileiro ressaltou que o direito à legítima defesa previsto na Carta das Nações Unidas deve ser aplicado de forma excepcional, proporcional e diretamente vinculada a um ataque armado.
  • Além disso, o Brasil manifestou solidariedade a países do Golfo que foram atingidos por ações retaliatórias, reforçando a preocupação com o alastramento regional da crise.

5. Papel central das Nações Unidas

  • O governo enfatizou que a Organização das Nações Unidas deve exercer papel central na mediação e prevenção de conflitos. Para Brasília, mecanismos multilaterais são fundamentais para restaurar o diálogo e evitar uma escalada de maiores proporções.

A posição brasileira diante da nova crise no Oriente Médio é clara: condenação ao uso da força, defesa do Direito Internacional e aposta na diplomacia como única alternativa sustentável. Em um cenário marcado por incertezas e riscos de ampliação do conflito, o governo avalia que a contenção e a retomada das negociações são essenciais para evitar consequências humanitárias, políticas e econômicas de alcance global.

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