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terça-feira, 12 de agosto de 2025 às 11:14 GMT+0

Como o tarifaço dos EUA afeta de fato o Brasil? Entenda a política 'Gangster Style' de Trump

No dia 6 de agosto de 2025, os Estados Unidos implementaram uma série de tarifas comerciais agressivas contra o Brasil, marcando mais um capítulo da política externa conhecida como Gangster Style do governo Trump. Essa abordagem, caracterizada por medidas unilaterais e protecionistas, afeta quase metade das exportações brasileiras para os EUA, com alíquotas de 50%. O artigo de Moisés da Silva Marques, doutor em Política Internacional, analisa os impactos e as motivações por trás dessas medidas, destacando seus efeitos geopolíticos e econômicos.

O que é o "Gangster Style" na política externa de Trump?

  • Definição: O termo refere-se a uma estratégia que combina unilateralismo, protecionismo e bravatas, sem diálogo multilateral. As tarifas são impostas de forma abrupta, com justificativas pouco claras, muitas vezes baseadas em interesses políticos e ideológicos.
  • Exemplos recentes: Além do Brasil, EUA aplicaram tarifas a outros parceiros comerciais, como China e União Europeia, e até ameaçaram anexar territórios como a Groenlândia.
  • Comparação: A postura lembra a de gangues ou milícias, que usam a intimidação para impor suas regras.

Objetivos declarados e reais das tarifas:

  • Justificativas oficiais: Reduzir o déficit comercial dos EUA, repatriar indústrias e aumentar empregos para trabalhadores menos qualificados.
  • Críticas: As medidas ignoram as complexidades da economia global e podem ter motivações eleitoreiras, como cumprir promessas de campanha (ex.: cortes de impostos).
  • Falácia do livre comércio: Historicamente, os EUA praticam protecionismo seletivo, mas o Gangster Style radicaliza essa postura.

Impactos imediatos no Brasil:

  • Setores afetados: Cerca de 50% das exportações brasileiras para os EUA foram taxadas, incluindo produtos estratégicos como o café, que representa 34% do mercado americano. Inicialmente, cerca de 700 produtos haviam sido poupados, mas a lista final mostrou que até mesmo setores tradicionalmente competitivos, como o agronegócio, não escaparam das altas tarifas. A medida surpreendeu analistas, já que o café é um produto sensível para os consumidores norte-americanos e sua taxação pode gerar inflação nos EUA, além de prejudicar diretamente os produtores brasileiros.
  • Estratégia brasileira: O governo evitou retaliações diretas, optando por negociações diplomáticas e "paciência estratégica" para não alimentar o conflito.
  • Riscos: Perda de competitividade para indústrias nacionais e possível desequilíbrio na balança comercial.

Ameaças à democracia e à ordem internacional:

  • Instrumentalização de leis: O uso da Lei Magnitsky (originalmente contra corrupção e violações de direitos humanos) para pressionar o STF brasileiro é visto como um ataque ao sistema de freios e contrapesos.
  • Erosão da ordem liberal: A política de Trump desestabiliza acordos multilaterais e pode fragmentar a cooperação global.
  • Reação do Brasil: O país busca equilibrar indignação e serenidade, reforçando a disposição para dialogar sem se submeter.

Limites do "Gangster Style":

  • Curto vs. longo prazo: Medidas protecionistas podem gerar ganhos imediatos para o Tesouro americano, mas tendem a falhar no médio prazo (ex.: inflação, desabastecimento).
  • Fragilidades internas nos EUA: Apoio do Congresso e da Suprema Corte a Trump pode esbarrar em insatisfação popular se os resultados econômicos forem negativos.
  • Lições históricas: Maquiavel lembra que o sucesso político depende de resultados concretos, não apenas de bravatas.

A política externa Gangster Style de Trump representa um desafio para o Brasil e a ordem global, mas sua eficácia é questionável a longo prazo. Enquanto os EUA apostam em poder bruto (hard power), o Brasil demonstra que estratégias baseadas em diálogo e resistência calma podem ser mais eficazes. O artigo alerta para os riscos de um mundo fragmentado por medidas unilaterais e reforça a importância de defender instituições democráticas e a cooperação internacional. Como afirma Marques, "contra a valentia explícita, a melhor resposta é a persistência em mostrar que há alternativas viáveis".

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