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quinta-feira, 12 de junho de 2025 às 10:40 GMT+0

STF decide: Big Techs poderão ser obrigadas a remover conteúdo sem ordem judicial? Entenda o impacto

O Supremo Tribunal Federal (STF) está prestes a tomar uma decisão crucial que redefinirá a responsabilidade das grandes plataformas de internet (como Google, Meta e X) por conteúdos criminosos publicados por usuários. Em junho de 2025, a corte formou maioria para endurecer as regras, mas ainda busca consenso sobre os detalhes. O julgamento ocorre em um cenário de tensões internacionais, incluindo ameaças do governo dos Estados Unidos a ministros do STF.

O que está em jogo no julgamento?

  • O STF analisa a constitucionalidade do Artigo 19 do Marco Civil da Internet (Lei de 2014), que atualmente protege as plataformas de serem responsabilizadas por conteúdos de terceiros, exceto em casos específicos como "pornografia de vingança".

  • Seis ministros (Dias Toffoli, Luiz Fux, Luís Roberto Barroso, Flávio Dino, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes) já votaram a favor de obrigar as plataformas a remover certos conteúdos criminosos sem necessidade de decisão judicial prévia. Isso significa que crimes graves, como pornografia infantil, incitação ao suicídio ou ataques à democracia, poderiam ser removidos automaticamente, mesmo sem denúncia.

  • Essa mudança é vista como crucial para o combate a crimes digitais, pois defensores argumentam que ela freará a disseminação de discursos perigosos, como o incentivo à violência em escolas. No entanto, críticos alertam para os riscos à liberdade de expressão, temendo que as plataformas passem a censurar conteúdos legítimos por medo de punições.

Divergências entre os ministros

Apesar da maioria pela mudança, há divergências significativas sobre os detalhes da nova regulamentação:

1. Crimes contra a honra (calúnia, difamação):
2. Toffoli e Fux defendem a remoção imediata após notificação.
3. Barroso e Dino exigem decisão judicial prévia.
4. Zanin propõe análise caso a caso: conteúdos claramente criminosos seriam removidos, enquanto os ambíguos seriam mantidos até decisão judicial.

  • Fiscalização: Não há consenso sobre quem supervisionará as novas regras. Sugestões incluem o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) ou o Ministério Público.
  • Voto dissidente: André Mendonça é o único a defender a manutenção do modelo atual, em que a Justiça decide sobre as remoções, exceto nos três casos já previstos em lei (pornografia infantil, apostas ilegais e "pornografia de vingança").

O cenário internacional e as pressões políticas

  • O julgamento acontece em um contexto de tensão com os EUA. O governo Trump ameaçou retaliar autoridades estrangeiras que regulamentarem plataformas, citando nominalmente o ministro Alexandre de Moraes. Ações do STF, como a suspensão do X (antigo Twitter) no Brasil, são vistas como "censura" pela Casa Branca.

  • No Brasil, o deputado Eduardo Bolsonaro tem articulado nos EUA para que sanções sejam aplicadas a Moraes, alegando violação à liberdade de expressão. Em resposta, o STF abriu inquérito contra ele por obstrução de Justiça.

  • No contexto político interno, o governo Lula apoia regras mais rígidas, enquanto bolsonaristas defendem a autorregulação das plataformas. Empresas como Google e Meta negam alinhamento político, mas participaram de eventos do PL, gerando críticas.

Argumentos das plataformas e especialistas

As "big techs" alegam que a mudança levará a uma "censura privada", com remoção excessiva de conteúdos por medo de multas. Elas defendem que a Justiça deve ser o único árbitro, como previsto no Marco Civil atual.

Entre os especialistas, as opiniões se dividem:

  • Pablo Ortellado (USP) preocupa-se com a falta de equilíbrio. Ele sugere um modelo similar ao europeu ("dever de cuidado"), que exige transparência sem responsabilização automática.
  • Bruna Santos (Witness) destaca que o STF assume um papel proativo diante da inércia do Congresso.

O que esperar da decisão final?

  • O STF deve declarar o Artigo 19 parcialmente inconstitucional, criando exceções para crimes graves. A corte pode estabelecer prazos para remoção de conteúdos e critérios para fiscalização, mas a aplicação prática dependerá de regulamentação futura.
  • O julgamento reflete um debate global: como equilibrar segurança digital e liberdade de expressão?

O STF enfrenta um desafio histórico: definir os limites da responsabilidade das plataformas em um ambiente digital cada vez mais complexo. Se a maioria se consolidar, o Brasil seguirá o caminho de países como Alemanha e União Europeia, onde as "big techs" têm deveres mais rígidos. No entanto, a falta de consenso sobre os detalhes e as pressões internacionais mostram que a disputa está longe de acabar. A decisão impactará não apenas a moderação de conteúdo, mas também o futuro da democracia digital no país.

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