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sexta-feira, 20 de junho de 2025 às 11:11 GMT+0

Juros altos e crise fiscal: Por que a Selic a 15% pode agravar a dívida pública em bilhões?

A recente decisão do Banco Central (BC) de elevar a taxa Selic para 15% ao ano reacendeu o debate sobre os efeitos dos juros altos na crise fiscal brasileira. Economistas alertam que, sem um corte significativo de gastos públicos, a política monetária restritiva pode agravar o endividamento do governo, criando um ciclo vicioso entre inflação e desequilíbrio nas contas públicas. Este resumo explora os mecanismos dessa relação, seus impactos bilionários e as perspectivas para a economia brasileira.

A relação entre política monetária e fiscal:

  • A taxa Selic, instrumento principal do BC para controlar a inflação, influencia diretamente o custo da dívida pública. Quando os juros sobem, o governo paga mais para rolar seus títulos, especialmente os atrelados à Selic, como as Letras Financeiras do Tesouro (LFTs).
  • Segundo Jeferson Bittencourt, economista da ASA, a alta dos juros também eleva o custo de emissão de todos os títulos públicos, pressionando ainda mais o déficit.

O impacto bilionário da Selic em 15%:

  • Cerca de 47% da Dívida Pública Federal (DPF) está vinculada à Selic. Sérgio Goldenstein, ex-diretor do BC, calcula que cada aumento de 1 ponto percentual na taxa gera um custo adicional de R$ 37,5 bilhões/ano só nas LFTs.

  • Com a Selic subindo de 14,75% para 15%, o impacto acumulado em 12 meses chega a R$ 12,1 bilhões. Se somadas as operações compromissadas do BC (R$ 1,1 trilhão), o custo extra é de R$ 11 bilhões/ano por ponto percentual.

  • Projeções indicam que a DPF pode atingir R$ 8,5 trilhões em 2025, ante R$ 7,3 trilhões em 2024, devido ao custo da dívida e ao aumento das emissões.

A crise fiscal como raiz do problema:

  • Economistas como José Márcio Camargo (Genial Investimentos) destacam que a política fiscal expansionista do governo — com gastos elevados e falta de reformas — obriga o BC a manter juros altos para conter a inflação.
  • Odilon Guedes, do Corecon-SP, alerta para o risco de um crescimento "incessante" da dívida, já que o governo não gera superávits primários suficientes para pagar os juros, dependendo de novas emissões.

Riscos adicionais e o cenário eleitoral:

  • Alex Agostini (Austin Rating) estima que o pagamento de juros da dívida mobiliária federal pode alcançar R$ 540 bilhões/ano com a Selic em 15%. Se houver desconfiança do mercado, o "prêmio de risco" pode aumentar ainda mais esse custo.
  • Goldenstein ressalta que 2026, ano eleitoral, pode trazer volatilidade aos mercados, exigindo um colchão de liquidez robusto (atualmente em R$ 1 trilhão) para evitar crises de refinanciamento.

A alta da Selic reflete um dilema estrutural: enquanto o governo não ajustar seus gastos, o BC seguirá usando juros altos como ferramenta contra a inflação, aprofundando a crise fiscal. O cenário exige reformas que equilibrem as contas públicas, reduzam a dependência de emissão de títulos e quebrem o ciclo de endividamento. Sem medidas concretas, o Brasil pode enfrentar anos de crescimento econômico limitado e pressão crescente sobre o orçamento federal.

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