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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026 às 10:52 GMT+0

Ciência vs. Redes Sociais: Jejum intermitente emagrece mesmo? O que o estudo científico revela sobre perda de peso

A ciência frequentemente atua como um balde de água fria em tendências que dominam as redes sociais, e com o jejum intermitente não foi diferente. Um estudo de revisão abrangente, publicado recentemente na Cochrane Database of Systematic Reviews, traz uma perspectiva sóbria sobre uma das práticas dietéticas mais comentadas da última década.

Embora o jejum intermitente seja vendido como uma "chave mestra" para o metabolismo, os dados sugerem que ele pode ser apenas mais um caminho para o mesmo destino — e nem sempre o mais curto.

O veredito do laboratório: Jejum vs. Dieta tradicional

A análise liderada por Luis Garegnani examinou 22 estudos que envolveram quase 2.000 participantes. O objetivo era simples: descobrir se o jejum intermitente (seja no modelo 5:2 ou na alimentação com restrição de tempo) superava as orientações nutricionais convencionais.

  • Resultados equivalentes: Para quem busca perder peso, o jejum intermitente demonstrou pouca ou nenhuma diferença significativa em comparação com a simples redução calórica diária.
  • Qualidade de vida: Não houve evidências de que o jejum melhore a qualidade de vida de forma superior a outras dietas equilibradas em um período de até 12 meses.
  • A "mágica" metabólica: Especialistas como Keith Frayn, da Universidade de Oxford, reforçam que a ideia de que o jejum possui efeitos especiais e únicos no metabolismo carece de base científica sólida para a perda de peso sustentada.

O abismo entre o TikTok e a Ciência

Um dos pontos mais críticos levantados pelos pesquisadores é o chamado desalinhamento entre a percepção pública e as evidências. Enquanto influenciadores promovem o jejum como uma revolução biológica, os cientistas pedem cautela.

"O jejum intermitente pode ser uma opção razoável para algumas pessoas, mas as evidências atuais não justificam o entusiasmo que vemos nas redes sociais", afirma Luis Garegnani.

A popularidade da prática nas redes sociais muitas vezes ignora as fragilidades dos estudos científicos, que frequentemente possuem poucos participantes ou metodologias que dificultam uma generalização para toda a população.

Além da balança: O que ainda pode ser verdade?

Apesar do ceticismo quanto ao emagrecimento "milagroso", a ciência não descartou o jejum intermitente por completo. O estudo aponta que ele pode ter benefícios em outras frentes, embora ainda precisem de mais comprovação:

  • Saúde metabólica: Existem indícios de melhoras nos níveis de colesterol e açúcar no sangue, além de benefícios para a saúde intestinal.
  • Adesão pessoal: O sucesso de qualquer dieta depende da individualidade. Para algumas pessoas, é psicologicamente mais fácil não comer por um período do que controlar porções em todas as refeições.
  • Necessidade de personalização: Eva Madrid, coautora do estudo, destaca que médicos devem focar em abordagens individualizadas, pois o que funciona para um organismo pode não ser ideal para outro.

O jejum intermitente não é uma farsa, mas também não é o milagre que os algoritmos sugerem. O estudo da Cochrane reforça uma verdade antiga na nutrição: não existem soluções rápidas ou universais. A perda de peso continua sendo, primordialmente, uma questão de balanço energético e sustentabilidade a longo prazo. O jejum pode ser uma ferramenta útil na sua caixa de ferramentas, mas não é a única, nem necessariamente a melhor.

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