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sábado, 14 de fevereiro de 2026 às 12:23 GMT+0

Lula pode perder o mandato por causa da homenagem no Carnaval 2026? Entenda a lei eleitoral e o que está em jogo no TSE

A decisão da escola de samba Acadêmicos de Niterói de homenagear o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no desfile do grupo especial reacendeu o debate sobre os limites entre manifestação cultural e propaganda eleitoral. Em ano de disputa presidencial, críticos apontam possível campanha antecipada e uso indevido de recursos públicos. Já defensores argumentam que se trata de expressão artística legítima, comum na história do Carnaval brasileiro.

A controvérsia chegou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que rejeitou um pedido para barrar a homenagem, mas alertou para o risco de eventuais ilícitos eleitorais durante o desfile.

Por que o desfile gerou questionamentos?

  • O samba-enredo faz referências à trajetória política de Lula, menciona o número do Partido dos Trabalhadores (13) e inclui versos interpretados como críticas indiretas ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
  • A escolha do tema em período pré-eleitoral levou adversários a acusarem a escola e apoiadores do presidente de promover campanha fora do prazo legal.
  • Além disso, o financiamento público destinado às escolas do grupo especial também entrou no debate, já que parte dos recursos vem de órgãos federais, estaduais e municipais.

O que diz o TSE?

O TSE entendeu que impedir previamente a homenagem configuraria censura. No entanto, a presidente da Corte alertou que o Carnaval não pode servir como “atalho” para práticas eleitorais irregulares.

A preocupação central é que, durante o desfile, possam ocorrer:

  • Pedido explícito de voto
  • Uso da estrutura pública para promoção eleitoral
  • Abuso de poder político ou econômico
  • Uso indevido dos meios de comunicação, caso a transmissão seja explorada com finalidade eleitoral.

O tribunal deixou claro que qualquer eventual irregularidade só poderá ser analisada com base em fatos concretos.

Campanha antecipada ou manifestação cultural?

A legislação eleitoral permite menção a pré-candidaturas e exaltação de qualidades pessoais, desde que não haja pedido explícito de voto.

Especialistas divergem:

  • Uma corrente entende que, sem pedido direto de voto, não há propaganda antecipada, podendo no máximo haver multa se a Justiça entender que houve excesso.
  • Outra corrente avalia que referências a número de partido e slogans podem configurar tentativa indireta de influenciar o eleitorado.
  • Até o momento, não há decisão que caracterize automaticamente o enredo como ilícito.

E quanto ao uso de dinheiro público?

  • Parte dos recursos destinados às escolas do grupo especial veio da Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur), além de repasses estaduais e municipais, feitos por meio da Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa).
  • Os valores, segundo os organizadores, foram distribuídos igualmente entre as agremiações, independentemente do tema escolhido. A defesa sustenta que o apoio ao Carnaval tem finalidade turística e cultural, não eleitoral.
  • Críticos, porém, argumentam que, se houver desvio de finalidade e se recursos públicos forem utilizados para promover um pré-candidato, pode haver questionamento jurídico mais grave.

Lula pode realmente ficar inelegível?

A inelegibilidade é considerada uma medida extrema e depende da comprovação de:

  • Abuso de poder político ou econômico
  • Conduta vedada pela legislação eleitoral
  • Gravidade suficiente para desequilibrar a disputa.

Especialistas destacam que a Justiça Eleitoral só aplica essa sanção quando há impacto concreto no equilíbrio da eleição. Em casos de campanha antecipada sem maior gravidade, a punição costuma se limitar a multa.

Portanto, eventual inelegibilidade dependeria do que efetivamente ocorrer no desfile e de como a Justiça avaliaria a gravidade dos fatos.

Há precedentes?

  • Homenagens a políticos no Carnaval não são novidade: Em diferentes momentos, escolas já exaltaram figuras públicas em atividade ou fora do cargo. A diferença, neste caso, é que o homenageado é presidente da República e potencial candidato à reeleição, o que eleva o nível de escrutínio jurídico e político.

O que vem a seguir?

  • O desfile da Acadêmicos de Niterói em homenagem a Lula não torna automaticamente o presidente inelegível. O TSE rejeitou a tentativa de impedir a apresentação, mas alertou para possíveis excessos.

O desfecho jurídico dependerá do que ocorrer na avenida e da eventual comprovação de irregularidades com impacto real na disputa eleitoral. Até lá, o episódio permanece como exemplo da tensão recorrente entre cultura, política e direito eleitoral no Brasil.

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