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quarta-feira, 1 de outubro de 2025 às 11:00 GMT+0

Descoberta-chave: Como um simples exame de urina pode prever o risco de demência antes dos sintomas

Por anos, a comunidade científica busca uma forma simples de prever o risco de demência muito antes dos primeiros sintomas. Um estudo inovador, liderado pela Professora Hong Xu do Instituto Karolinska na Suécia e publicado em setembro de 2025, aponta para uma solução surpreendentemente acessível: o exame de urina de rotina.

A pesquisa sugere que a presença de uma proteína específica na urina pode funcionar como um marcador precoce e crucial para futuros problemas de memória, abrindo novas e empolgantes portas para a prevenção.

A descoberta central: Albuminúria e risco de demência

O estudo acompanhou 130 mil indivíduos, conferindo-lhe uma solidez estatística significativa, e chegou à seguinte conclusão:

  • A pista na proteína: Pessoas com níveis elevados de albumina na urina, uma condição chamada albuminúria, tiveram uma probabilidade substancialmente maior de desenvolver demência ao longo do tempo.
  • Os tipos mais afetados: A associação foi mais forte com a Demência Vascular (ligada a problemas de fluxo sanguíneo no cérebro) e a Demência Mista (que combina características da vascular e da Doença de Alzheimer).
  • Um marcador independente: O dado mais revolucionário é que essa conexão se manteve válida mesmo quando os exames de função renal dos participantes eram normais. Isso indica que a albumina na urina é um marcador independente de risco de demência, fornecendo uma informação que vai além da saúde dos rins.

A conexão biológica: Rins, cérebro e vasos sanguíneos

Por que um problema na filtração dos rins sinalizaria uma doença no cérebro? A resposta reside na fragilidade e similaridade das estruturas vasculares que sustentam ambos os órgãos:

  • Rins como filtros danificados: Os rins atuam como filtros de alta precisão (glomérulos), retendo a albumina no sangue. Quando danificados por fatores como hipertensão ou diabetes, esses filtros "vazam" a proteína para a urina.
  • O elo comum: Danos Vasculares: Tanto os filtros renais quanto a barreira protetora do cérebro (Barreira Hematoencefálica) dependem de redes complexas e delicadas de vasos sanguíneos.
  • A rota do perigo: Um dano vascular sistêmico, causado pelos mesmos fatores de risco, pode atingir ambos os sistemas simultaneamente. O mesmo processo que causa o vazamento nos rins pode danificar a barreira cerebral, permitindo a entrada de toxinas e moléculas inflamatórias no cérebro. Isso pode reduzir o fluxo sanguíneo e desencadear as alterações que levam à demência.

Implicações práticas: Uma janela de oportunidade para a prevenção

Esta descoberta tem implicações de longo alcance para a saúde pública e para o indivíduo:

  • Detecção precoce e acessível: O exame de albumina na urina é barato, não invasivo e rápido, podendo ser feito em consultórios simples. Isso o torna uma ferramenta de rastreio potencialmente ideal para a população.
  • Intervenção otimizada: Identificar o risco com décadas de antecedência cria uma janela de oportunidade para intervenções proativas. Pessoas com albuminúria poderiam receber um acompanhamento rigoroso e medidas preventivas intensivas.
  • Reposicionamento de medicamentos: A descoberta sugere que medicamentos já usados para pressão arterial e que reduzem a albuminúria, como Inibidores da ECA e ARBs, podem ter um efeito duplo de proteção renal e cerebral. Drogas mais novas (Agonistas de GLP-1 e Inibidores de SGLT2) também estão sob investigação por seu potencial protetor contra a demência.
  • Mudança no rastreio: Atualmente, o rastreio da albumina na urina foca em pacientes com diabetes ou hipertensão. O estudo levanta a questão se todas as pessoas com fatores de risco, ou mesmo acima de uma certa idade (como 50 anos), deveriam ser examinadas rotineiramente.

Priorizando a saúde vascular

  • Embora a demência ainda não tenha cura, a detecção precoce e a prevenção continuam sendo as estratégias mais poderosas. O estudo da Professora Xu demonstra que ações que protegem os rins, como controlar a pressão arterial e o açúcar no sangue, manter uma alimentação equilibrada, praticar exercícios e parar de fumar, reforçam-se como pilares fundamentais também para a proteção da nossa memória e função cognitiva.

A confirmação dessa relação poderá transformar um simples exame de urina em uma ferramenta padrão para a avaliação do risco de demência no futuro. A lição é clara: cuidar dos seus vasos sanguíneos é cuidar do seu cérebro.

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