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terça-feira, 26 de maio de 2026 às 11:02 GMT+0

Freud está voltando? Por que a psicanálise cresce em tempos de crise e autoritarismo

A psicanálise, criada por Sigmund Freud, voltou a ganhar destaque em redes sociais, programas de TV, universidades e debates sobre saúde mental. Após anos sendo considerada ultrapassada por parte da ciência, ela reaparece em um momento marcado por crises políticas, ansiedade coletiva e crescimento do autoritarismo.

Esse retorno acontece porque muitas pessoas buscam compreender emoções, traumas e comportamentos sociais de forma mais profunda.

O retorno da psicanálise

Nos últimos anos, aumentou o interesse por temas como:

  • Trauma emocional
  • Ansiedade e sofrimento psíquico
  • Relações humanas
  • Inconsciente e comportamento
  • Saúde mental além de medicamentos.

Programas como Couples Therapy e conteúdos sobre Freud nas redes sociais ajudaram a popularizar novamente a psicanálise.

Por que ela voltou agora?

O crescimento da psicanálise está ligado ao atual cenário mundial:

  • Polarização política
  • Crises econômicas
  • Violência e guerras
  • Excesso de informação
  • Pressão social e tecnológica
  • Sensação coletiva de insegurança.

Em períodos assim, cresce a necessidade de encontrar sentido para o sofrimento humano e para os comportamentos autoritários da sociedade.

Psicanálise como forma de resistência

Historicamente, a psicanálise ganhou força em épocas de repressão política.

Na Argentina, durante a ditadura militar, ela se tornou uma ferramenta importante para lidar com:

  • Trauma
  • Medo
  • Luto
  • Silêncio imposto pelo Estado.

Falar sobre dor e emoções passou a ser também uma forma de resistência.

Freud, política e autoritarismo

Pensadores como Erich Fromm e Frantz Fanon usaram a psicanálise para entender:

  1. Como surgem líderes autoritários
  2. Por que sociedades aceitam violência e opressão
  3. Como o medo influencia o comportamento coletivo.

A teoria freudiana voltou a ser vista como uma ferramenta para interpretar crises sociais modernas.

A crítica às “soluções rápidas”

A psicanálise também voltou a chamar atenção por criticar modelos imediatistas de saúde mental.

Ela questiona:

  • Dependência excessiva de medicamentos
  • Tratamentos focados apenas em sintomas
  • A ideia de produtividade aplicada às emoções.

Em vez disso, valoriza:

  • Escuta profunda
  • Tempo para compreender emoções
  • Reflexão sobre desejos, traumas e conflitos internos.

A nova psicanálise

A psicanálise moderna também mudou. Muitos profissionais passaram a dialogar com temas atuais, como:

  • Identidade
  • Sexualidade
  • Feminismo
  • Justiça social
  • Impactos emocionais da tecnologia e da inteligência artificial.

Isso ajudou a aproximar a teoria de novas gerações.

O atual "renascimento" da psicanálise não é um movimento nostálgico, mas uma resposta pragmática à insuficiência das abordagens terapêuticas convencionais frente à complexidade das crises modernas. Ao oferecer um quadro teórico para compreender como o sofrimento individual se conecta com as estruturas autoritárias da sociedade, a psicanálise reafirma sua relevância como uma ferramenta vital de autoconhecimento e resistência. Seja como prática clínica ou como lente política, a teoria de Freud encontra novos públicos ávidos por decifrar a obscuridade dos tempos atuais e recuperar a humanidade perdida em meio ao caos global.

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