Gripe avança no Brasil: Casos graves e mortes por influenza disparam em 2026
O Brasil registra um crescimento dos casos graves de gripe em 2026. Entre janeiro e maio, os casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) associados à influenza superaram os números do mesmo período de 2025. Especialistas apontam que a baixa vacinação e a antecipação da temporada de vírus respiratórios ajudaram a agravar o cenário.
O avanço da gripe em números
- Foram registrados
7.749casos graves de influenza até maio de 2026, acima dos6.250registrados no mesmo período de 2025. - O país confirmou
505mortes relacionadas à Influenza A e B. - Cerca de
27%dessas confirmações ocorreram nas duas últimas semanas de monitoramento. - Mais de
1.300mortes por SRAG ainda não tiveram o agente causador identificado.
Por que os casos aumentaram?
Especialistas destacam alguns fatores principais:
- Chegada antecipada da temporada de vírus respiratórios.
- Clima mais frio e seco, que favorece a transmissão.
- Maior permanência em ambientes fechados.
- Baixa cobertura vacinal entre os grupos de risco.
Apesar do aumento dos casos, não há evidências de que o vírus esteja mais agressivo do que em anos anteriores.
Quem corre mais risco?
As complicações são mais frequentes entre:
- Crianças.
- Idosos.
- Gestantes.
- Pessoas com doenças crônicas, como diabetes e asma.
- Imunossuprimidos e fumantes.
Em situações mais graves, a influenza pode causar pneumonia, insuficiência respiratória, AVC, infarto e até levar à morte.
Entenda os principais tipos de influenza
Influenza A (H1N1 e H3N2)
É o grupo que mais preocupa especialistas por sofrer mutações frequentes e causar surtos mais intensos.
- H1N1 costuma estar associado a quadros respiratórios graves.
- H3N2 é altamente transmissível e afeta principalmente idosos.
Influenza B
- Sofre menos mutações e tem menor potencial de provocar grandes surtos, mas também pode causar complicações e mortes.
O desafio da baixa adesão à vacinação
A estratégia principal para conter o avanço dessas mortes é a vacinação, que, contudo, enfrenta uma crise de baixa procura. A meta do Ministério da Saúde era vacinar 90% do público-alvo, mas, ao final da campanha em 30 de maio, apenas 38,5% das doses foram aplicadas.
- Desinformação: Especialistas apontam que a desconfiança em relação às vacinas, exacerbada após a pandemia de covid-19, contribuiu diretamente para o abandono da imunização anual.
- Vacina Trivalente: A vacina oferecida pelo SUS é trivalente e protege contra as cepas mais importantes que circulam atualmente. Profissionais ressaltam que, apesar da existência da versão quadrivalente na rede privada, a trivalente é plenamente eficaz, pois uma das cepas extras da quadrivalente não circula mais desde a pandemia.
O aumento dos casos graves de influenza em 2026 reforça a importância da prevenção. Embora os vírus em circulação não pareçam mais perigosos do que nos anos anteriores, a combinação entre baixa vacinação e maior transmissão elevou o número de internações e mortes. A imunização continua sendo a principal ferramenta para reduzir complicações, proteger grupos vulneráveis e evitar novos avanços da doença.
