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quarta-feira, 3 de junho de 2026 às 11:06 GMT+0

Gripe avança no Brasil: Casos graves e mortes por influenza disparam em 2026

O Brasil registra um crescimento dos casos graves de gripe em 2026. Entre janeiro e maio, os casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) associados à influenza superaram os números do mesmo período de 2025. Especialistas apontam que a baixa vacinação e a antecipação da temporada de vírus respiratórios ajudaram a agravar o cenário.

O avanço da gripe em números

  • Foram registrados 7.749 casos graves de influenza até maio de 2026, acima dos 6.250 registrados no mesmo período de 2025.
  • O país confirmou 505 mortes relacionadas à Influenza A e B.
  • Cerca de 27% dessas confirmações ocorreram nas duas últimas semanas de monitoramento.
  • Mais de 1.300 mortes por SRAG ainda não tiveram o agente causador identificado.

Por que os casos aumentaram?

Especialistas destacam alguns fatores principais:

  1. Chegada antecipada da temporada de vírus respiratórios.
  2. Clima mais frio e seco, que favorece a transmissão.
  3. Maior permanência em ambientes fechados.
  4. Baixa cobertura vacinal entre os grupos de risco.

Apesar do aumento dos casos, não há evidências de que o vírus esteja mais agressivo do que em anos anteriores.

Quem corre mais risco?

As complicações são mais frequentes entre:

  • Crianças.
  • Idosos.
  • Gestantes.
  • Pessoas com doenças crônicas, como diabetes e asma.
  • Imunossuprimidos e fumantes.

Em situações mais graves, a influenza pode causar pneumonia, insuficiência respiratória, AVC, infarto e até levar à morte.

Entenda os principais tipos de influenza

Influenza A (H1N1 e H3N2)

É o grupo que mais preocupa especialistas por sofrer mutações frequentes e causar surtos mais intensos.

  • H1N1 costuma estar associado a quadros respiratórios graves.
  • H3N2 é altamente transmissível e afeta principalmente idosos.

Influenza B

  • Sofre menos mutações e tem menor potencial de provocar grandes surtos, mas também pode causar complicações e mortes.

O desafio da baixa adesão à vacinação

A estratégia principal para conter o avanço dessas mortes é a vacinação, que, contudo, enfrenta uma crise de baixa procura. A meta do Ministério da Saúde era vacinar 90% do público-alvo, mas, ao final da campanha em 30 de maio, apenas 38,5% das doses foram aplicadas.

  • Desinformação: Especialistas apontam que a desconfiança em relação às vacinas, exacerbada após a pandemia de covid-19, contribuiu diretamente para o abandono da imunização anual.
  • Vacina Trivalente: A vacina oferecida pelo SUS é trivalente e protege contra as cepas mais importantes que circulam atualmente. Profissionais ressaltam que, apesar da existência da versão quadrivalente na rede privada, a trivalente é plenamente eficaz, pois uma das cepas extras da quadrivalente não circula mais desde a pandemia.

O aumento dos casos graves de influenza em 2026 reforça a importância da prevenção. Embora os vírus em circulação não pareçam mais perigosos do que nos anos anteriores, a combinação entre baixa vacinação e maior transmissão elevou o número de internações e mortes. A imunização continua sendo a principal ferramenta para reduzir complicações, proteger grupos vulneráveis e evitar novos avanços da doença.

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