Seu DNA pode influenciar o emagrecimento? Ozempic, Wegovy e Mounjaro - Quem tem mais chances de perder peso
Um estudo recente publicado na revista Nature investigou por que algumas pessoas perdem mais peso do que outras ao usar medicamentos injetáveis para emagrecimento, como semaglutida e tirzepatida. A pesquisa aponta que variações genéticas podem influenciar tanto a eficácia desses tratamentos quanto a intensidade dos efeitos colaterais, mas ressalta que a genética é apenas parte de um quadro mais amplo.
O papel da genética na perda de peso
- Foram identificadas variações em dois genes relacionados ao apetite e à digestão.
- Pessoas com determinadas variantes tendem a perder mais peso ao usar esses medicamentos.
- Uma dessas variantes também está associada a maior incidência de náuseas.
- O impacto genético é considerado moderado, mas relevante.
Diferenças nos resultados entre pacientes
A perda de peso varia bastante entre indivíduos.
Em média:
- Cerca de 11,7% do peso corporal em 8 meses (no estudo).
- Ensaios clínicos indicam até 14% com semaglutida e 20% com tirzepatida.
- Alguns pacientes perderam até 30% do peso, enquanto outros tiveram pouca ou nenhuma mudança.
Efeitos colaterais e predisposição genética
- Certas variantes aumentam o risco de efeitos colaterais, como náusea e vômito.
- Em casos raros, episódios intensos podem ocorrer com maior frequência.
- Isso sugere que a resposta ao tratamento não é apenas sobre eficácia, mas também tolerância.
Outros fatores que influenciam os resultados
Além da genética, diversos elementos têm forte impacto:
- Hábitos de vida (alimentação e exercícios)
- Idade, sexo e origem
- Condições de saúde pré-existentes
- Tipo de medicamento, dose e duração do uso
- Apoio médico e acompanhamento adequado
Estudos indicam, por exemplo, que mulheres e pessoas mais jovens tendem a ter melhores resultados, embora as razões ainda não sejam totalmente claras.
Caminho para a medicina personalizada
- A combinação de dados genéticos com fatores clínicos pode, no futuro, permitir tratamentos mais personalizados.
- Essa abordagem, chamada de “medicina de precisão”, ainda está em desenvolvimento.
- Especialistas afirmam que mais estudos são necessários antes de aplicar essas descobertas na prática clínica.
Situação e acesso no Brasil
- O acesso aos medicamentos ainda é limitado pelo alto custo (cerca de
R$ 1.400 por mês). - O fim da patente da semaglutida no país pode aumentar a concorrência e reduzir preços no futuro.
- O SUS começou a dar os primeiros passos na oferta desses tratamentos, ainda de forma restrita.
A pesquisa reforça que a resposta aos medicamentos para emagrecimento é altamente individual. A genética pode ajudar a explicar parte das diferenças, mas fatores comportamentais, clínicos e sociais continuam sendo determinantes principais. Embora a ideia de tratamentos personalizados seja promissora, ela ainda depende de avanços científicos e maior validação antes de se tornar realidade no dia a dia.
