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quarta-feira, 28 de maio de 2025 às 12:26 GMT+0

Síndrome do olho seco em jovens: Como o uso excessivo de telas está afetando a visão (e como se proteger)

A síndrome do olho seco, tradicionalmente associada a idosos, está se tornando cada vez mais comum entre jovens adultos. Um estudo recente da Aston University, no Reino Unido, revelou que 90% dos participantes entre 18 e 25 anos apresentavam pelo menos um sinal clínico da doença. Publicado na revista The Ocular Surface, o estudo destaca a relação direta entre o uso excessivo de telas e o aumento dos casos, classificando o problema como uma "epidemia comportamental".

O que é a síndrome do olho seco?

A síndrome do olho seco é uma condição crônica em que os olhos não produzem lágrimas suficientes ou estas têm qualidade inadequada, levando à má lubrificação da superfície ocular. Segundo a oftalmologista Claudia de Paula Faria, do Hospital Israelita Albert Einstein, a doença compromete a película lacrimal, causando sintomas como:

  • Sensação de areia nos olhos.
  • Ardência e vermelhidão.
  • Visão embaçada.
  • Sensibilidade à luz.

Diferente do ressecamento ocasional, a síndrome é persistente, podendo causar inflamação e danos à córnea se não tratada.

O impacto das telas na saúde ocular

O estudo acompanhou 50 jovens por um ano e descobriu que:

  • 56% já tinham diagnóstico confirmado da síndrome.
  • 90% apresentavam pelo menos um sintoma.

Principais causas do agravamento:

  • Redução no piscar: O uso de telas diminui a frequência e a completude das piscadas, essenciais para distribuir as lágrimas.
  • Tempo de exposição: Em média, os participantes passavam oito horas por dia diante de dispositivos digitais. Mesmo períodos moderados (2 a 6 horas) elevam o risco.

Fatores de risco adicionais

Além do uso de telas, a síndrome está associada a:

  • Sexo feminino (hormônios influenciam a produção lacrimal).
  • Uso de lentes de contato.
  • Cirurgias oculares prévias.
  • Doenças autoimunes (como síndrome de Sjögren).
  • Medicamentos (antidepressivos, anti-histamínicos).
  • Ambientes secos ou poluídos.

Importância da detecção precoce

Muitos casos evoluem silenciosamente, só sendo diagnosticados quando os sintomas se tornam graves. Por isso, é fundamental:

  • Realizar consultas oftalmológicas anuais.
  • Observar sinais como irritação constante ou visão flutuante.

Prevenção e tratamento

Medidas preventivas:

  • Limitar o uso de telas a no máximo três horas por dia (quando possível).
  • Seguir a regra "20-20-20" (a cada 20 minutos de tela, olhar para algo a 6 metros por 20 segundos).
  • Incentivar atividades ao ar livre.
  • Manter a hidratação e piscar conscientemente durante o uso de dispositivos.

Tratamentos disponíveis:

  • Lágrimas artificiais.
  • Colírios anti-inflamatórios.
  • Suplementos com ômega-3.
  • Terapias personalizadas (como luz pulsada em casos graves).

Uma condição crônica que exige mudanças

A síndrome do olho seco não tem cura, mas pode ser controlada com ajustes no estilo de vida e acompanhamento médico contínuo. Como destacou a dra. Claudia Faria, "o alívio completo é raro, e muitos pacientes precisam de terapias combinadas". Para os jovens, reduzir o tempo de tela e adotar hábitos saudáveis são passos essenciais para preservar a saúde ocular em um mundo cada vez mais digital.

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