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quarta-feira, 4 de junho de 2025 às 14:13 GMT+0

Boatos, julgamentos, fofocas e hipocrisia: O que você diz dos outros diz muito sobre você - Por que somos cruéis ao falar dos outros e nos blindamos quando é conosco?

Com a ascensão das redes sociais e aplicativos de mensagens, antigas práticas como boatos e fofocas se intensificaram, ganhando uma nova e perigosa dimensão. Antigamente restritas a pequenos grupos, essas “conversas” hoje podem alcançar milhares de pessoas em poucos minutos. O problema é que muitas dessas informações compartilhadas são falsas, ofensivas e, em muitos casos, criminosas.

O site Boatos.org, por exemplo, foi criado justamente para tentar conter essa onda de desinformação. Mas o que parece “apenas uma fofoca” pode causar prejuízos irreparáveis, como no caso trágico de Fabiane Maria de Jesus, morta em 2014 após ser falsamente acusada nas redes sociais.

Importância e relevância

  • É fundamental compreender que a fofoca nunca é inofensiva. Ela é, quase sempre, maliciosa, motivada por julgamentos, inveja, desprezo ou prazer em atacar os outros. Falar da vida alheia como se fosse entretenimento é esquecer que do outro lado há uma pessoa real, com sentimentos, família, história e dignidade.

  • Mais grave ainda é a hipocrisia embutida: quem fofoca costuma se revoltar quando o alvo passa a ser ele mesmo ou alguém querido. Isso escancara o quanto é confortável ser cruel quando o outro é distante ou indesejado, e o quanto é doloroso quando se está na pele da vítima.

Responsabilidade legal e moral

Segundo o presidente da OAB de Itapetinga, Fabrício Moreira, quem cria ou compartilha boatos, mesmo sem ter certeza da veracidade, pode ser responsabilizado civil e criminalmente. A Constituição garante a liberdade de expressão, mas ela não pode ultrapassar os direitos dos outros – como o respeito à privacidade, à honra e à imagem.

Há crimes específicos no Código Penal para punir quem atinge a honra alheia:

  • Calúnia: atribuição falsa de crime a alguém (art. 138), com pena de 6 meses a 2 anos.
  • Difamação: imputação de fato ofensivo à reputação de alguém (art. 139), mesmo que seja verdadeiro.
  • Injúria: ofensa direta à dignidade da pessoa, como xingamentos (art. 140), com agravantes se envolver preconceito ou violência.

Além disso, divulgar imagens sem autorização, mesmo se extraídas de redes sociais, pode gerar indenização por danos morais, conforme prevê o artigo 20 do Código Civil e a súmula 403 do STJ.

Grupos de mídias sociais e a falsa sensação de anonimato

  • Os grupos de mídias sociais, cada vez mais numerosos, são terreno fértil para espalhar boatos. E é importante destacar que os administradores podem ser responsabilizados, especialmente se participarem da disseminação do conteúdo ilegal ou ofensivo.

  • Mesmo que o administrador não tenha criado o conteúdo, ele tem o dever de monitorar as publicações e pode ser responsabilizado civilmente se houver omissão ou negligência.

Boatos que causam pânico também são puníveis

  • Não são apenas as fofocas pessoais que causam danos. Quando o boato visa criar pânico coletivo, ele é enquadrado como contravenção penal (art. 41 da Lei de Contravenções Penais), com pena de até 6 meses. Quem ajuda a espalhar a informação também pode ser punido.

Fofoca não é só "conversa" — é julgamento e maldade disfarçado de entretenimento

  • Muitas vezes, o discurso de que “fofoca é só papo” esconde algo mais perverso: A necessidade de diminuir o outro, de se sentir superior, de rir do que não é engraçado. Esse hábito revela uma sociedade doente de empatia, que se diverte com o sofrimento alheio e normaliza a maldade em forma de palavras.

  • É preciso refletir: Por que falar dos outros é tão fácil, mas ser o alvo é tão insuportável? A resposta está no ego humano e na falta de consciência do impacto das próprias ações. O que hoje é "só um comentário" pode, amanhã, ser uma tragédia.

Indenizações por danos morais

  • Todos os crimes citados podem gerar reparação financeira. Os valores variam conforme a gravidade do ato e os prejuízos causados, mas geralmente não ultrapassam R$ 10 mil. Em casos de grande repercussão, como o da atriz Carolina Ferraz, a indenização pode passar de R$ 300 mil.

A fragilidade da legislação e o desafio da educação

  • Apesar de existirem leis, muitas delas são antigas e pouco eficazes diante da velocidade da internet. O Código Penal, por exemplo, data de 1940. Segundo Fabrício Moreira, a base da nossa legislação é frouxa e há um problema ainda mais profundo: a falência da educação moral e cívica dentro dos lares.

  • Hoje, pais transferem às escolas a obrigação de educar, esquecendo que valores como empatia, respeito, responsabilidade e limites devem nascer dentro de casa. Essa ausência de formação crítica e humana faz com que as pessoas repitam comportamentos nocivos sem sequer perceber o quão destrutivos são.

"Fofoca é veneno disfarçado de conversa. Quem vive espalhando mentira e dor dos outros, só reclama quando o veneno atinge sua própria pele. Quer justiça? Então cale a maldade antes que ela volte para você. Pense: Será que você gostaria de ser o alvo do seu próprio veneno?"

Fofocar, compartilhar mentiras ou humilhar alguém nas redes sociais não é “conversa inocente”. É um ato que pode destruir vidas, manchar reputações e gerar consequências jurídicas sérias. Mais do que nunca, é urgente cultivar consciência, empatia e responsabilidade.

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