Mulheres são mais empáticas? Diferença de empatia entre homens e mulheres - Mito ou Biologia?
Historicamente, a sensibilidade foi rotulada como feminina e a racionalidade como masculina. Desde o século XVIII, pensadoras como Mary Astell já questionavam por que grandes feitos femininos eram lidos como "masculinos". Hoje, a ciência busca entender se essa diferença é biológica ou uma construção social.
O que é empatia, afinal?
A empatia possui duas dimensões:
1. Cognitiva: Compreender o que o outro pensa.
2. Afetiva: Reagir emocionalmente ao sentimento alheio.
Embora mulheres pontuem ligeiramente mais em questionários, a variação dentro de um mesmo grupo é muito maior do que a diferença entre os sexos.
Hormônios explicam as diferenças?
O psicólogo Simon Baron-Cohen sugere que o cérebro feminino é voltado à empatia e o masculino à sistematização, ligando isso à testosterona pré-natal. Contudo, a neurocientista Gina Rippon contesta, afirmando que o cérebro é plástico e moldado pelo ambiente, combatendo o "mito do cérebro de gênero fixo".
E quanto aos genes?
- Um estudo de 2018 com 46 mil pessoas revelou que a genética responde por apenas 10% da variação da empatia. Crucialmente, nenhum dos genes identificados estava ligado ao sexo biológico, indicando que o ambiente tem peso igual ou superior.
A socialização pesa mais do que imaginamos
As expectativas sociais moldam o comportamento desde a infância:
- Meninas: Incentivadas ao cuidado e expressão emocional.
- Meninos: Encorajados à autonomia e controle emocional.
Experimentos mostram que, quando homens são motivados ou recompensados para identificar emoções, as diferenças de desempenho desaparecem. A disparidade surge mais em autorrelatos (pressão social) do que em exames neurológicos.
Poder, contexto e empatia
O poder também influencia: Grupos com menos poder social tendem a ser mais empáticos como estratégia adaptativa. Como homens ocuparam historicamente mais cargos de liderança, isso pode ter enviesado a percepção média da empatia por gênero.
Empatia é fixa ou pode ser desenvolvida?
- A empatia é maleável. Neurologistas e psicólogos defendem que ela é um processo dinâmico que pode ser treinado ao longo da vida através da motivação e do contexto.
As consequências dos estereótipos
Crer em uma "natureza empática" feminina gera prejuízos:
- Mulheres são vistas como menos aptas ao comando.
- Homens evitam vulnerabilidade, o que aumenta o isolamento social masculino.
A ciência nos mostra que a empatia é uma característica dinâmica e maleável. Embora existam nuances biológicas, são a educação, a cultura e as expectativas sociais que realmente definem o quanto escolhemos nos importar com o próximo. Ao desmistificar a ideia de que a sensibilidade é um atributo exclusivo de um gênero, abrimos caminho para uma liderança mais humana e para relacionamentos mais saudáveis, onde a capacidade de compreender o outro é vista como uma competência universal a ser cultivada por todos.
