O que esperar da economia em 2026? Entenda o 'novo normal' dos Mercados
O ano de 2025 terminou consolidando uma mudança profunda: A volatilidade econômica deixou de ser um susto passageiro para se tornar a regra do jogo. O que vimos foi uma economia mundial que, apesar de caminhar sobre ovos devido às tensões políticas e comerciais, conseguiu manter um ritmo de crescimento resiliente. Para 2026, a palavra de ordem não é mais "esperar a poeira baixar", mas aprender a lucrar e crescer em meio ao caos.
A era do protecionismo: O impacto do estilo Trump
- O retorno de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos trouxe o protecionismo para o centro do palco. Com o discurso de "taxar outros países para enriquecer os americanos", 2025 foi marcado por idas e vindas tarifárias extremas. O fenômeno apelidado de "TACO" (Trump Always Chickens Out) mostrou um governo que usou a ameaça de tarifas altíssimas chegando a 145% contra a China como ferramenta de negociação, recuando para patamares menores, mas ainda assim históricos. O resultado foi o maior nível tarifário americano desde 1935, encarecendo produtos básicos e mudando o fluxo do dinheiro mundial.
Resiliência tecnológica e o motor da Inteligência Artificial
- Mesmo com o governo americano enfrentando a maior paralisação (shutdown) de sua história, a economia não parou. O crescimento de 2,3% nos EUA foi impulsionado pelo consumo das famílias e, principalmente, por uma corrida tecnológica sem precedentes. A Inteligência Artificial deixou de ser uma promessa para se tornar o principal destino de investimentos das grandes corporações, servindo de escudo contra as incertezas políticas e aumentando a produtividade global.
A manobra chinesa e o despertar europeu
- Enquanto os EUA se fechavam, a China bateu a marca histórica de
US$ 1 trilhãoem superávit comercial. A estratégia de Pequim foi clara: inundar o mercado global com exportações para compensar a fraqueza do seu consumo interno. Já na Europa, o cenário foi de adaptação. Países como a Alemanha deixaram de lado o controle rígido de gastos para investir em defesa e tecnologia, tentando não ficar para trás na disputa entre as duas superpotências.
Previsão para o Brasil em 2026: O desafio da autonomia
Para o Brasil, 2026 se desenha como um ano de oportunidades estratégicas em meio ao fogo cruzado. O país entra no radar global não apenas como um fornecedor de alimentos, mas como um player essencial na transição energética e na exploração de terras raras.
- A pressão do dólar: O protecionismo americano tende a manter o dólar valorizado, o que exige um controle rigoroso da inflação e dos juros por aqui.
- Oportunidade industrial: O governo brasileiro tem sinalizado que não aceitará ser apenas exportador de matéria-prima. O foco será atrair indústrias que queiram fugir da guerra tarifária entre EUA e China, usando o Brasil como uma plataforma de produção sustentável.
- Equilíbrio fiscal: O sucesso brasileiro dependerá de como o país lidará com suas contas internas para atrair o capital estrangeiro que busca refúgios mais estáveis em mercados emergentes.
O que esperar do amanhã?
O "novo normal" da economia global para 2026 é marcado por juros mais altos do que o acostumado na década passada e por dívidas públicas elevadas em quase todas as grandes nações. A incerteza agora é estrutural; ela faz parte do cálculo de risco de qualquer investidor. No entanto, a capacidade de adaptação demonstrada em 2025 sugere que, embora o mar esteja agitado, os motores da inovação tecnológica e da reorganização do comércio continuam empurrando o mundo para frente.
