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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026 às 11:05 GMT+0

Por que o seu jantar fora pode ficar mais caro em 2026? Quem vai pagar a conta do fim da escala 6x1?

A discussão sobre a redução da jornada de trabalho sem redução salarial (transição da escala 6x1 para modelos como 5x2 ou 4x3) atingiu seu auge no Congresso Nacional. Enquanto a proposta goza de grande popularidade nas redes sociais, o setor produtivo, liderado por vozes como a de Paulo Solmucci, alerta para consequências econômicas que, segundo ele, ainda não foram totalmente compreendidas pela população.

O repasse direto para o consumidor

  • O argumento central de Solmucci é que a conta da redução da jornada será paga pelo cidadão comum. Ele estima que a manutenção do salário com menos horas trabalhadas geraria um aumento de 20% no custo da mão de obra. No setor de serviços, isso se traduziria em um reajuste imediato de 7% a 8% nos preços finais de cardápios e produtos. O empresário questiona se o consumidor está disposto a arcar com esse aumento em prol da mudança.

O risco de um "apagão" de mão de obra

  • Com o Brasil operando em níveis de pleno emprego em diversos setores, a mudança legislativa exigiria a contratação de 20% a mais de funcionários para manter os mesmos horários de atendimento. Solmucci aponta que não há trabalhadores disponíveis no mercado para suprir essa demanda repentina, o que poderia levar a um colapso no atendimento, especialmente em regiões periféricas e em pequenos negócios, que perderiam profissionais para grandes empresas com maior poder de caixa.

Produtividade vs. "Canetada" legislativa

  • Para a Abrasel, o enriquecimento de uma nação e a redução da carga horária só são sustentáveis quando acompanhados por ganhos de produtividade. O empresário critica a tentativa de resolver questões sociais via decreto (a "canetada"), sem enfrentar o problema da baixa produtividade brasileira e o alto índice de informalidade, que já atinge cerca de 40% da força de trabalho.

O trabalho intermitente como alternativa

  • Uma das soluções defendidas é a maior utilização do trabalho intermitente, modalidade pacificada pelo STF no final de 2024. Solmucci argumenta que esse modelo já permite flexibilidade total, onde o jovem ou o trabalhador pode escolher seus dias e horas de atuação. Segundo ele, essa ferramenta torna a proibição da escala 6x1 desnecessária, pois o mercado já oferece mecanismos para jornadas mais curtas e flexíveis.

Críticas ao cenário político e empresarial

Solmucci define o atual momento como um reflexo de três falhas:

1. Governo: Atuação classificada como oportunista por priorizar o discurso popular em ano eleitoral.
2. Congresso: Visto como refém das urnas, evitando contrariar a opinião pública majoritária.
3. Empresariado: Criticado por sua omissão e medo de debater o tema publicamente devido ao radicalismo nas redes.

Paulo Solmucci acredita que, embora a proposta tenha um forte apelo emocional e eleitoral, ela dificilmente será aprovada no formato atual assim que os custos reais forem expostos. A previsão é que o debate evolua para uma transição mais longa ou que inclua medidas compensatórias, como a desoneração da folha de pagamento. Para ele, a "clonagem" de benefícios sem o suporte da economia real resultaria em inflação de serviços e fechamento de pequenas empresas.

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