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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026 às 11:18 GMT+0

A origem do "Jenga": A história real por trás de um dos jogos mais famosos do mundo - Dos blocos de sobras em Gana ao sucesso global

Com regras fáceis e materiais básicos, o Jenga se tornou um dos jogos de tabuleiro mais populares do planeta, com cerca de 100 milhões de unidades vendidas. Apesar de parecer uma brincadeira antiga, sua criação é relativamente recente e nasceu da criatividade de uma designer britânica determinada. Esta é a história de como um passatempo de infância virou um fenômeno mundial.

Como funciona o jogo que desafia a gravidade

O conceito do Jenga é direto e envolvente:

1. São 54 blocos de madeira do mesmo tamanho.
2. Eles são empilhados horizontalmente, em grupos de três, formando uma torre.
3. A cada rodada, o jogador deve retirar um bloco da estrutura e colocá-lo no topo.
4. O jogo termina quando a torre desmorona.
5. Quem derruba perde. E o verdadeiro vencedor, no fim das contas, é a gravidade.

A simplicidade das regras é justamente o que torna o jogo universal: qualquer pessoa pode aprender em segundos, mas dominar a tensão e o controle exige habilidade e sangue-frio.

A infância que deu origem ao Jenga

  • A criadora do jogo é Leslie Scott, designer britânica que passou parte da infância no leste da África.
  • Em Gana, onde viveu com a família, ela e os irmãos brincavam com sobras retangulares de madeira de uma serraria local. Aos poucos, a brincadeira de empilhar blocos evoluiu para um desafio: retirar peças e colocá-las no topo sem derrubar a estrutura.
  • Sem saber, ali nascia a primeira versão do Jenga.
  • Scott descreve sua família como extremamente competitiva, transformando qualquer situação em jogo. Esse ambiente ajudou a moldar o espírito desafiador que mais tarde se tornaria a essência do produto.

O momento decisivo: Do passatempo ao produto

  • Já adulta e vivendo no Reino Unido nos anos 1980, Scott levou o jogo para reuniões e eventos sociais. O ponto de virada ocorreu quando apresentou a brincadeira em um evento de arrecadação de fundos ligado ao Merton College, uma das faculdades da Universidade de Oxford.
  • Embora não fosse a atração principal do evento, o jogo chamou mais atenção do que qualquer outro entretenimento contratado. Foi ali que Scott teve seu momento “eureka”: percebeu que aquele passatempo tinha potencial comercial real.

O fracasso inicial que quase acabou com tudo

Determinada a transformar a ideia em negócio, Scott abriu sua própria empresa. Para financiar o projeto:

  • Pegou empréstimo no banco.
  • Pediu dinheiro ao namorado.
  • Contou com a mãe como fiadora, colocando a própria casa como garantia.

Em 1983, lançou o jogo na Feira do Brinquedo de Londres: O resultado foi desanimador: nenhum pedido.

  • Sem portfólio e sendo uma empresa desconhecida, Scott percebeu que o mercado não confiava em um único produto vindo de uma marca nova. Mesmo assim, persistiu. Criou outros jogos, ampliou sua atuação e tentou vender o Jenga internacionalmente.
  • Enquanto isso, os videogames começavam a dominar o mercado, tornando o cenário ainda mais desafiador.

O golpe de sorte que mudou tudo

A virada veio quando um contato no Canadá convidou Scott para apresentar o jogo em um shopping. Lá, um executivo da Irwin Toy, maior empresa de brinquedos do país na época, viu potencial imediato.

A empresa quis licenciar o jogo. Havia apenas um problema: o nome.

  • Os executivos gostavam do produto, mas não do nome “Jenga”. Scott recusou qualquer mudança.
  • O termo vem do suaíli. “Kujenga” significa “construir”. Criada no leste africano e fluente no idioma, Scott escolheu a palavra por traduzir perfeitamente a essência do jogo.
  • A insistência valeu a pena. O nome permaneceu e se tornaria uma marca global.

Reconhecimento mundial

  • Com o tempo, o Jenga se espalhou pelo mundo, tornando-se presença constante em festas, encontros familiares e competições.
  • O jogo foi incluído no National Toy Hall of Fame, nos Estados Unidos, espaço que homenageia brinquedos que marcaram gerações e mantiveram relevância ao longo do tempo.
  • Além do sucesso do Jenga, Leslie Scott desenvolveu mais de 40 jogos ao longo da carreira, consolidando-se como uma das pioneiras no design de jogos modernos.

Quando tudo parece desmoronar: A lição de persistência por trás do sucesso do Jenga

  • A história do Jenga prova que grandes ideias podem nascer das brincadeiras mais simples. Entre fracassos, dívidas e rejeições, foi a persistência de Leslie Scott que transformou blocos de madeira em um dos jogos mais icônicos do mundo.

Mais do que um passatempo, o Jenga é um exemplo de como criatividade, identidade cultural e determinação podem sustentar uma ideia mesmo quando tudo parece prestes a desmoronar.

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