O próximo alvo de Trump: Por que a Colômbia e o México estão na mira dos EUA após a queda da Venezuela?
Está é uma analise resumida do panorama geopolítico de 2026, com tópicos desenhados para uma leitura mais fluida, instigante e focada nas dinâmicas de poder entre Washington e a América Latina.
O tabuleiro do tráfico em 2026: Por que a Venezuela foi o alvo inicial?
- A captura e extradição de Nicolás Maduro para os Estados Unidos, em janeiro de 2026, consolidaram uma mudança radical na política externa de Washington. Sob a administração de Donald Trump, o combate ao narcotráfico deixou de ser apenas uma questão de segurança pública para se tornar a principal engrenagem de pressão diplomática e militar no Hemisfério Ocidental.
- Enquanto a Venezuela era vista como o elo político mais fraco, Colômbia e México emergem agora como desafios técnicos e logísticos muito mais profundos, forçando o mundo a questionar se a estratégia americana busca realmente o fim das drogas ou a reconfiguração do poder na região.
A Venezuela como o "eixo" de passagem e escudo político
Diferente de seus vizinhos, a Venezuela não se destaca pela terra cultivada, mas pela facilidade logística. O país funcionou, nas últimas décadas, como uma zona de livre trânsito onde a política e o crime se fundiram.
- O porto seguro das guerrilhas: Sob o governo anterior, grupos como o ELN e dissidências das FARC não apenas transitavam, mas gerenciavam rotas de saída para o Caribe a partir de solo venezuelano, com a conivência de setores militares.
- A justificativa para a intervenção: Para os EUA, o papel da Venezuela como "trampolim" foi o argumento ideal para isolar a influência da Rússia e da China na região, apresentando a captura de Maduro como uma vitória contra um "Estado narcoterrorista".
Colômbia e a indústria da superprodução
Se a Venezuela era o porto, a Colômbia é a fábrica. Mesmo com as mudanças políticas em Bogotá, o país atingiu em 2026 recordes de produtividade que desafiam a lógica dos anos anteriores.
- Eficiência criminosa: O uso de sementes geneticamente aprimoradas e laboratórios móveis permitiu que a produção de cocaína saltasse para 2.600 toneladas anuais. É um motor econômico paralelo que resiste a qualquer tentativa de erradicação.
- A tensão com o eixo Petro-Trump: A relação entre os dois presidentes tornou-se um campo de batalha retórico. As sanções impostas à Colômbia sinalizam que Washington não aceitará a soberania colombiana se ela significar a continuidade do fluxo de drogas para o norte.
O método mexicano: Expertise e a ameaça invisível
O México representa a evolução do narcotráfico. Enquanto a Colômbia foca na extração e a Venezuela na logística, os cartéis mexicanos dominam a tecnologia e a diversificação química.
- A supremacia do fentanil: O grande pesadelo de Washington não é mais apenas a folha de coca, mas os opioides sintéticos. Os cartéis mexicanos transformaram a fronteira em um ponto de entrada para substâncias químicas que causam uma crise de saúde pública sem precedentes nos EUA.
- Exportação de conhecimento: O "método mexicano" de gestão de rotas e lavagem de dinheiro agora é exportado para o mundo, com cartéis operando de forma empresarial na Europa e na América do Sul, tornando-os alvos muito mais difíceis de neutralizar do que um governo centralizado como o de Maduro.
A doutrina Trump: Narcotráfico como ferramenta de controle
A atual postura da Casa Branca sugere que o alvo não é apenas o traficante, mas o líder político que não se alinha aos interesses americanos.
- Mensagem aos vizinhos: Ao ameaçar México e Colômbia após a queda de Maduro, Trump utiliza o narcotráfico como uma "linha vermelha". A mensagem é clara: a cooperação com Washington é a única garantia contra sanções ou intervenções mais agressivas.
- A geopolítica dos adversários: O foco na Venezuela também serviu para desmantelar a presença de agentes de inteligência de países rivais (Rússia, Cuba e Irã), mostrando que a guerra às drogas é, na verdade, uma guerra por influência territorial.
O futuro da região após a queda de Caracas
- A captura de Maduro em 2026 alterou o mapa do crime organizado, mas não encerrou o fluxo de substâncias. A Venezuela perdeu seu status de santuário estatal, mas o problema se deslocou para as selvas colombianas e os laboratórios mexicanos com mais intensidade.
O cenário atual indica que a América Latina viverá um período de soberania vigiada. O sucesso ou fracasso das administrações de Claudia Sheinbaum e Gustavo Petro será medido, por Washington, não pelos seus índices econômicos, mas pela sua capacidade de ceder às exigências de segurança de uma Casa Branca mais assertiva e militarizada do que nunca.
