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quinta-feira, 11 de dezembro de 2025 às 10:27 GMT+0

Escola pública "Parque dos sonhos" de Cubatão vence prêmio mundial: O modelo de educação que superou a violência e o tráfico

Uma história de superação e dedicação que começou em 2016 mudou completamente a realidade da Escola Estadual Parque dos Sonhos, em Cubatão (SP). A unidade, que antes era marcada por invasões, violência e drogas, conquistou o reconhecimento internacional no Prêmio Melhor Escola do Mundo 2025 na categoria "Superação de Adversidades".

O cenário inicial: Violência e abandono

Quando o professor de História Régis Marques recebeu o convite para assumir a direção em 2016, a reputação da escola era péssima:

  • Alto risco e invasões: A escola, situada no Jardim Real (antigo Bolsão 9), ficava em uma área isolada e era constantemente invadida.
  • Rotina de uso de drogas: O espaço escolar era utilizado por pessoas de fora para consumo de drogas e outras atividades ilícitas.

"Era comum a gente chegar, ter pinos de cocaína, camisinha usada, roupa usada..." — Régis Marques, Diretor.

  • Baixa frequência de alunos: A violência e insegurança fizeram com que muitos alunos pedissem transferência, deixando a escola com apenas 116 matrículas, muito abaixo da capacidade.
  • Apelido sombrio: A unidade era conhecida na comunidade como "Parque dos Pesadelos" ou "Parque do Terror".

A mudança começa: Estrutura e comunidade

O novo diretor traçou a meta ambiciosa de transformar a escola mais vulnerável da região na melhor do estado em cinco anos, começando por passos práticos e fundamentais:

  • Reforma estrutural: O primeiro desafio foi reconstruir o básico (muros, pisos, móveis). Sem verba, a escola enviou 135 ofícios e conseguiu arrecadar R$ 100 mil com o apoio de empresas privadas.
  • Abertura para o bairro: Para integrar a escola à comunidade, foram criados cursinhos preparatórios (vestibular e concursos) e o espaço foi aberto para uso da vizinhança aos finais de semana.
  • Voluntariado ativo: Mães e moradores do bairro, como Ana Gabriela Lima, formaram uma primeira equipe de voluntários para ajudar na limpeza e apoio das atividades.

Foco no aluno: Currículo ampliado e humanização

A escola, que funciona em período integral, investiu em uma abordagem humanizada e em um currículo diversificado para engajar os estudantes:

  • Ouvir e humanizar: O trabalho principal foi focado em "ouvir os alunos" e oferecer um "olhar mais humanizado, de ter um olhar realmente voltado para eles".
  • 23 projetos extracurriculares: O currículo foi expandido muito além do tradicional, incluindo atividades como culinária, teatro e esportes incomuns na rede pública, como badminton e patinação artística.
  • Engajamento aumentado: A diversidade de práticas mudou a percepção dos estudantes sobre o tempo integral.

"Só que aí a escola foi tendo novos projetos e hoje em dia é muito legal, porque a gente não fica só dentro da sala de aula." — Ester Silva, aluna.

Inspiração cubana: A escola vai à sua casa

O projeto mais transformador da escola foi inspirado em um modelo de educação cubano, buscando entender o contexto de vida do aluno:

  • Visitas domiciliares: Professores e a diretoria visitam a casa de alunos com problemas de frequência ou indisciplina nos finais de semana.
  • Compreensão profunda: O objetivo é se "colocar no lugar do aluno" e compreender as dificuldades e as condições precárias que eles enfrentam fora dos muros da escola.

Paz e transformação: A semana da não violência

A escola adota pilares pedagógicos de justiça social e direitos humanos para formar cidadãos mais conscientes:

  • Corredores inspiradores: As portas das salas de aula são grafitadas com figuras históricas ligadas à luta pelos direitos humanos, como Nelson Mandela, Marielle Franco e Paulo Freire.
  • Justiça restaurativa: Anualmente, o evento Semana da Não Violência promove rodas de conversa, estudos pacifistas e práticas de justiça restaurativa.
  • Questionar a opressão: O conceito de não violência é ensinado como uma forma de questionar o sistema que oprime.

Resultados e reconhecimento global

A transformação interna gerou resultados acadêmicos e, finalmente, o reconhecimento mundial:

  • Salto no Idesp: Em uma década, o indicador de qualidade das escolas (Idesp) da Parque dos Sonhos saltou de 2,2 para 4,6, representando uma evolução de quase 100% no aprendizado.
  • Impacto social: O sucesso é medido também em vidas salvas. A escola se tornou um porto seguro, onde alunas puderam relatar casos de abuso, reforçando seu papel de proteção social.
  • Vencedora mundial: Em setembro de 2025, a escola foi celebrada pelos alunos após vencer o Prêmio Melhor Escola do Mundo na categoria Superação de Adversidades.

O poder transformador da educação

A jornada da Escola Parque dos Sonhos, de um polo de violência a uma referência internacional, prova que a educação humanizada e o envolvimento comunitário são as ferramentas mais eficazes contra a adversidade. A unidade de Cubatão não apenas elevou seus indicadores acadêmicos, mas, sobretudo, resgatou a dignidade de sua comunidade. A escola, que esteve a ponto de fechar em 2016, projeta começar 2026 com 1.200 alunos, consolidando sua missão de ser um ponto de transformação social e um símbolo global do poder da esperança e da excelência.

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