Trump, Groenlândia e Futebol: A mistura explosiva que ameaça a Copa de 2026 - Entenda o movimento de boicote aos EUA
A proximidade da Copa do Mundo de 2026, que será sediada por Estados Unidos, Canadá e México, trouxe à tona um debate que mistura esporte e diplomacia de alta voltagem. O torneio já nasce histórico: será a maior edição de todos os tempos, com 48 seleções (em vez das tradicionais 32) e 104 partidas espalhadas por 16 cidades-sede. Esse gigantismo logístico e financeiro, no entanto, ocorre paralelamente a um movimento de contestação em setores da sociedade europeia e entre figuras históricas do futebol, que discutem abertamente um boicote ao torneio.
O endosso de figuras históricas
- O debate ganhou tração após Joseph Blatter, ex-presidente da Fifa, apoiar publicamente a ideia de que torcedores evitem viajar aos Estados Unidos. Blatter endossou as críticas do advogado suíço Mark Pieth, que aponta riscos de arbitrariedades por parte das autoridades de imigração e um clima de instabilidade interna.
- A preocupação central reside no tratamento de estrangeiros em um evento que espera atrair milhões de visitantes. Incidentes envolvendo o Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) têm sido utilizados como argumentos por aqueles que defendem que o ambiente nos EUA, no momento, não é convidativo para uma celebração global dessa magnitude.
Tensões diplomáticas e a questão da Groenlândia
Um dos pontos mais inusitados da crise envolve a Dinamarca. A intenção declarada de Trump de assumir o controle da Groenlândia gerou indignação na Europa, afetando o clima esportivo:
- Reação Alemã: Oke Göttlich (DFB) comparou a situação ao boicote de Moscou-1980, sugerindo que a ameaça à ordem internacional é latente.
- Pressão no Parlamento Britânico: 26 parlamentares pediram a consideração da exclusão dos EUA de competições internacionais por violações do direito internacional.
Intervenções nas Américas e conflitos de soberania
- A postura agressiva em relação à Venezuela e as ameaças de ação militar no México criam um cenário de incerteza para um torneio que deveria unir o continente. O México, coanfitrião, enfrenta uma retórica de Washington sobre envio de tropas para combater o narcotráfico, rejeitada pela presidente Claudia Sheinbaum. Essa tensão entre países-sede é inédita, especialmente em uma Copa projetada para ser a vitrine definitiva da infraestrutura norte-americana.
A postura da Fifa e o "prêmio da paz"
- Enquanto a pressão cresce, a relação entre Gianni Infantino e Donald Trump permanece estreita: A entrega de um "prêmio da paz" a Trump durante o sorteio em Washington foi vista como uma politização excessiva. A Fifa é criticada pela falta de consistência ao comparar o banimento da Rússia em 2022 com a atual complacência diante das tensões americanas. Para a entidade, o foco permanece no sucesso comercial absoluto, com previsões de receitas recordes que superam qualquer edição anterior.
Entre o espetáculo e o protesto
A Copa de 2026 caminha para ser um colosso: o primeiro torneio em escala continental, com distâncias geográficas imensas e uma operação bilionária. No entanto, o brilho do campo está sendo ofuscado por sanções, tarifas e ameaças militares. Se o gigantismo do evento com seus estádios monumentais e audiências globais será suficiente para soterrar os apelos por boicote, ainda é uma incógnita. O debate sinaliza que o futebol não está mais isolado e que a escolha de uma sede envolve, hoje, muito mais do que a capacidade de erguer arenas de última geração.
