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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026 às 11:32 GMT+0

Brasil pode integrar Conselho da paz de Trump? A condição imposta por Lula

Nesta quinta-feira (19/02), Washington sedia a primeira cúpula do Conselho da Paz no recém-rebatizado Donald J. Trump Institute of Peace. A mudança de nome da instituição, que antes era o Instituto da Paz dos EUA, simboliza a nova diretriz do governo republicano: centralizar os esforços de mediação de conflitos sob uma estrutura própria e direta.

Embora o conselho tenha surgido originalmente como um plano para encerrar a guerra entre Israel e Hamas e reconstruir Gaza, sua carta constitutiva é propositalmente vaga. Isso sugere que o grupo pode expandir sua atuação para além do Oriente Médio, assumindo funções que historicamente pertenciam à Organização das Nações Unidas (ONU).

O círculo de poder e a presidência vitalícia

O funcionamento do conselho reflete o estilo de gestão de Trump, com uma estrutura hierárquica bem definida e membros de extrema confiança:

  • Liderança central: Donald Trump atua como presidente vitalício, detendo autoridade máxima sobre as decisões.
  • Conselho executivo fundador: Focado em diplomacia de alto nível e investimentos, conta com nomes como Marco Rubio (Secretário de Estado), Jared Kushner e o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair.
  • Conselho executivo de Gaza: Responsável pela governança temporária e reconstrução do território, incluindo figuras do Egito, Turquia e até o bilionário israelense Yakir Gabay.

A presença de Tony Blair é um dos pontos mais sensíveis, devido ao seu histórico na Guerra do Iraque, o que gera questionamentos sobre a autoridade moral do grupo em missões de paz.

O "clube do bilhão" e a visão empresarial de Gaza

Diferente de organizações internacionais tradicionais baseadas em cotas proporcionais, o Conselho da Paz introduz uma dinâmica de "taxa de adesão":

  • Investimento de entrada: Trump estipulou que membros permanentes devem contribuir com US$ 1 bilhão para o fundo de reconstrução.
  • O plano diretor: Jared Kushner apresentou um projeto que trata a reconstrução de Gaza quase como um empreendimento imobiliário, prevendo arranha-céus e zonas turísticas costeiras, com custo estimado em US$ 25 bilhões.
  • Força de pacificação: Já existem promessas de envio de tropas, com a Indonésia liderando o compromisso de mobilizar 8 mil soldados para missões humanitárias e de segurança.

Por que o Conselho é alvo de críticas?

A polêmica em torno do grupo não é pequena e gira em torno de três pilares principais:

1. Ausência de representação:

  • Não há palestinos nos conselhos executivos que decidirão o futuro de Gaza, o que gera críticas sobre a legitimidade das soluções propostas.

2. Esvaziamento da ONU:

  • Aliados europeus, como França e Reino Unido, temem que o conselho seja uma ferramenta para Trump atropelar o multilateralismo e governar de forma unilateral.

3. Falta de transparência:

  • A União Europeia e outros observadores alertam para a ausência de mecanismos de fiscalização e prestação de contas.

O dilema brasileiro: A condição de Lula

O Brasil ocupa uma posição peculiar nesta nova ordem. Convidado pela Casa Branca, o governo brasileiro adotou uma postura de cautela estratégica. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva condicionou a participação do país à inclusão de representantes palestinos nas mesas de decisão.

Lula tem sido um crítico vocal da iniciativa, argumentando que:

  • A proposta ignora o multilateralismo e "rasga" a carta da ONU.
  • O Brasil tem interesse em ajudar na paz em Gaza, mas não em um conselho que exclua uma das partes envolvidas no conflito.
  • Existe o temor de que o órgão seja uma "nova ONU" com um único dono, retirando a voz de nações em desenvolvimento.
  • Até o momento, o Itamaraty mantém a exigência de uma governança mais equilibrada para confirmar qualquer adesão oficial.

Um novo paradigma mundial

O Conselho da Paz de Trump representa uma ruptura com a diplomacia do século 20. Ao trocar o consenso burocrático da ONU por uma estrutura executiva baseada em parcerias financeiras e militares diretas, o governo americano tenta criar um novo centro de gravidade global. O sucesso dessa iniciativa dependerá de sua capacidade de entregar resultados reais em Gaza e de convencer as potências céticas de que o grupo é mais do que apenas um instrumento de influência pessoal.

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