Por que a "vacina" do governo contra o Banco Master não funciona? Daniel Vorcaro - "tenho amigos em todos os Poderes"
O governo federal tenta implementar uma narrativa de contenção, apelidada nos bastidores de "vacina anti-Master" para isolar os recentes escândalos que cercam a instituição financeira. A estratégia baseia-se em transferir a responsabilidade para a gestão anterior do Banco Central e associar setores do mercado financeiro a práticas ilícitas. Contudo, essa linha de defesa enfrenta obstáculos concretos: a capilaridade de Daniel Vorcaro, dono do Master, dentro das instituições do Estado brasileiro.
As duas frentes da ofensiva governista
- A tática do Executivo divide-se em dois pilares principais: Primeiro, a tentativa de criminalizar as relações de mercado, sugerindo uma proximidade entre o sistema financeiro e o crime organizado, uma retórica comum em alas mais ideológicas do PT. Segundo, o foco em Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central, buscando personificar nele a suposta omissão fiscalizatória que permitiu a ascensão meteórica do banco.
A fragilidade da narrativa: Conexões à esquerda e à direita
A maior fraqueza dessa estratégia é que ela ignora a natureza suprapartidária da rede de proteção do Banco Master. A influência da instituição não se limita a um espectro político, mas infiltra-se em diversos núcleos de poder:
- Vínculos de ex-ministros: Figuras de peso histórico e jurídico, como o ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski e ex-chefes da pasta da Fazenda de gestões petistas, já mantiveram contratos ou vínculos diretos com o banco.
- O elo com a Casa Civil: O crescimento exponencial de ex-sócios do Master coincide com a gestão de Rui Costa, atual ministro da Casa Civil, evidenciando que a expansão da instituição floresceu também sob a égide do atual governo.
- Acesso ao Palácio do Planalto: Registros indicam que Daniel Vorcaro esteve no Planalto em quatro ocasiões, incluindo uma reunião reservada com o presidente Lula, o que torna difícil sustentar a tese de um distanciamento entre o banco e a atual cúpula do Executivo.
A resistência à CPI e o "dono do poder"
- No Congresso Nacional, o discurso governista de indignação entra em contradição com a prática parlamentar: É justamente a base aliada ao governo que oferece maior resistência à abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o caso. Essa hesitação reforça a percepção de que uma investigação profunda poderia atingir figuras de ambos os lados da polarização política.
- A frase proferida por Vorcaro em vídeos recentes — "tenho amigos em todos os Poderes" não parece ser apenas uma jactância, mas uma descrição precisa do cenário. O Banco Master não é um satélite de um partido específico, mas um ator que soube navegar entre as engrenagens de Brasília, tornando qualquer tentativa de "vacina" política um exercício de alto risco para o próprio governo.
A tentativa de isolar o caso Master como um problema herdado ou puramente técnico esbarra na realidade dos fatos e das agendas oficiais. Enquanto o governo busca culpados externos, os vínculos internos e a resistência à transparência parlamentar sugerem que a blindagem de Daniel Vorcaro é sustentada por uma rede de influência que o governo ainda não está disposto ou não pode enfrentar sem sofrer danos colaterais.
