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sexta-feira, 9 de janeiro de 2026 às 10:28 GMT+0

Efeito rebote extremo: Por que o peso volta 4x mais rápido após parar com o uso de canetas emagrecedoras?

A ascensão das chamadas** "canetas emagrecedoras"** transformou o tratamento da obesidade, mas um novo alerta científico acendeu um sinal amarelo para pacientes e médicos. Pesquisas publicadas no British Medical Journal revelam que pessoas que interrompem o uso dessas injeções podem recuperar o peso perdido até quatro vezes mais rápido do que aquelas que emagreceram apenas através de métodos tradicionais, como dieta e exercícios.

Enquanto pacientes em tratamento perdem, em média, um quinto do peso corporal, a interrupção da medicação resulta em um ganho médio de 0,8 kg por mês. Em contraste, quem foca apenas em mudanças de estilo de vida costuma recuperar cerca de 0,1 kg mensalmente. Esse dado sugere que, sem a manutenção medicamentosa, o corpo tende a retornar ao peso original em menos de dois anos.

O mecanismo biológico da fome

  • A ciência explica que essa recuperação veloz não é falta de força de vontade, mas uma resposta fisiológica. As injeções imitam o hormônio GLP-1 em níveis muito superiores aos naturais, o que "desliga" a fome no cérebro. Quando o medicamento é retirado, ocorre um desequilíbrio: o organismo, acostumado com doses externas elevadas, pode produzir menos hormônio próprio e tornar-se menos sensível a ele. O resultado é descrito por usuários como um "interruptor de fome" que é religado abruptamente, gerando um apetite voraz difícil de controlar apenas com disciplina.

Desafios financeiros e acesso no Brasil

  • Embora eficazes, essas terapias impõem um desafio econômico significativo. No Brasil, o Mounjaro (tirzepatida) e o Wegovy (semaglutida) já possuem aprovação da Anvisa, mas o custo mensal ultrapassa facilmente a marca de R$ 1.200,00. Como o tratamento é frequentemente considerado de longo prazo — ou até vitalício — para evitar o efeito rebote, o peso financeiro torna-se um dos principais motivos para a interrupção precoce. Atualmente, o Sistema Único de Saúde (SUS) ainda não disponibiliza essas medicações, limitando o acesso ao setor privado.

O papel do estilo de vida no longo prazo

  • Especialistas e fabricantes reforçam que as canetas não devem ser vistas como uma solução isolada. A eficácia duradoura depende de uma tríade: medicação, alimentação balanceada e atividade física regular. O grande risco, segundo nutricionistas, é o paciente "terceirizar" todo o esforço para o remédio. Sem criar novos hábitos comportamentais durante o período de uso, o indivíduo fica vulnerável assim que a assistência farmacológica é suspensa.

Perspectivas clínicas e benefícios persistentes

  • Apesar do risco de reganho, nem tudo é negativo. Médicos indicam que mesmo períodos temporários de perda de peso significativa podem retardar danos crônicos em articulações, coração e rins. Além disso, em dezembro de 2025, novas indicações para esses medicamentos foram aprovadas, incluindo o tratamento de gordura no fígado (esteatose hepática) com inflamação, ampliando o espectro de benefícios metabólicos para além da estética.

A obesidade é cada vez mais compreendida pela medicina como uma condição crônica e complexa, similar à hipertensão ou ao diabetes, que exige manejo contínuo. A rápida recuperação de peso após a suspensão das canetas emagrecedoras sublinha que esses medicamentos são ferramentas potentes, mas não curas definitivas. Para quem busca resultados sustentáveis, o acompanhamento médico rigoroso e a reeducação do estilo de vida permanecem como os pilares indispensáveis para evitar que o sucesso na balança seja apenas temporário.

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