Brasil fora da mira? Analise de Zuniga explica por que Trump deve evitar sanções no ano eleitoral brasileiro
O cenário geopolítico das Américas foi sacudido pela recente operação militar dos Estados Unidos que resultou na captura de Nicolás Maduro na Venezuela. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, após um silêncio de sete horas, classificou a ação como um "precedente perigoso", gerando questionamentos sobre a estabilidade das relações entre Brasília e Washington.
Tópicos de análise estratégica
1. A reação brasileira e o peso da história
A crítica de Lula à intervenção americana não é uma surpresa diplomática. Zuniga ressalta que o Brasil, historicamente, mantém uma postura contrária ao uso de forças estrangeiras na América do Sul, independentemente da orientação ideológica do governo de turno.
- Soberania regional: O Brasil vê a intervenção como uma afronta à autonomia do continente.
- Cautela mexicana vs. Crítica brasileira: Enquanto o México (com Claudia Sheinbaum) adotou um tom mais suave devido à dependência econômica direta, o Brasil sente-se mais confortável para manter sua tradição de não intervenção.
- A queda de Maduro: Existe um consenso implícito de que poucos lamentam a saída de Maduro, mas o método da captura levanta dúvidas jurídicas globais.
2. Trump e as eleições brasileiras de 2026
Com o ciclo eleitoral se aproximando, pairam dúvidas sobre a interferência da Casa Branca na política doméstica brasileira.
- Influência sem sanções: Zuniga acredita ser improvável que Trump aplique sanções ao Brasil agora. O foco americano deve ser o apoio a candidatos alinhados, como ocorreu recentemente em Honduras.
- A relação Lula-Trump: Surpreendentemente, Zuniga aponta que o ambiente cordial entre os dois líderes é real. Trump é movido por relações pessoais, o que pode suavizar possíveis atritos institucionais.
- Complexidade brasileira: Ao contrário de vizinhos menores, o Brasil possui um contexto político mais robusto, o que torna uma interferência direta mais difícil de ser bem-sucedida.
3. A nova "Doutrina Trump": O hemisfério como propriedade
A administração atual dos EUA parece resgatar uma visão do século 19, onde o Hemisfério Ocidental é visto como zona de influência exclusiva.
- "The Western Hemisphere is ours": Esta frase resume a nova postura bélica para proteger interesses americanos, ignorando, se necessário, as leis internacionais e a ONU.
- A divisão do mundo: A estratégia parece ser a partilha global em três grandes esferas de influência: EUA, Rússia e China.
- O risco do medo: Zuniga alerta que Trump confunde medo com influência. Ao agir de forma agressiva, os EUA podem empurrar aliados para os braços da China, que se posiciona como um "parceiro estável".
4. Pragmatismo mineral: O caminho para o Brasil
Para o ex-diplomata, o Brasil deve evitar se tornar um "peão" no debate político interno dos EUA e focar em suas vantagens competitivas.
- Poder mineral: O Brasil é uma potência em minerais críticos. Os EUA precisam desses recursos para competir com a China.
- Relação preferencial: Em vez de focar apenas no embate ideológico, o Brasil deve usar sua riqueza mineral como moeda de troca para garantir uma posição privilegiada com Washington.
- Gestão de fronteira: O que acontece na Venezuela tem impacto prático imediato (migração, segurança) para o Brasil. A atuação deve ser focada em soluções regionais práticas.
Entre a autonomia e a necessidade
O momento exige que o Brasil atue com a "calma histórica" mencionada por Zuniga. A captura de Maduro mudou as regras do jogo, demonstrando que a administração Trump está disposta a agir sem o aval de organismos internacionais. Para o governo Lula, o desafio será manter a crítica aos métodos americanos sem romper as pontes de uma relação pessoal que, curiosamente, ainda funciona. O pragmatismo econômico, especialmente no setor mineral e energético, parece ser o escudo mais eficaz do Brasil contra instabilidades externas em 2026.
